Filha das Trevas - Kelly Keaton

Hey pessoal, tudo bem?

Filha das Trevas, primeiro livro da série Deuses & Monstros, foi um livro complicado de formar uma opinião sobre. Por um lado temos uma escrita muito bem elaborada e um desenvolvimento de personagem de fazer inveja a muitos autores. Por outro, contamos com uma personagem adolescente que não está satisfeita com a vida que leva - o que por si só já é suficiente para quase me fazer abandonar um livro -, e um dos maiores clichês de livros do gênero: desvendar os mistérios do seu passado. 





Ari se sente perdida e solitária. Com olhos azul-esverdeados e cabelos prateados esquisitos, que não podem ser modificados nem destruídos, sempre chamou a atenção por onde passava. Depois de crescer em casas adotivas, tudo o que quer é descobrir de onde veio e quem ela é. Em sua busca por respostas, encontra uma mensagem escrita pela mãe morta há muito tempo: fuja. A garota percebe que precisa voltar para o local de seu nascimento, Nova 2 — a cidade luxuosa, que foi inteiramente remodelada —, em Nova Orleans. Lá, ela é aparentemente normal. Mas cada criatura que encontra, por mais mortal ou horrível que seja, sente medo dela. Ari não vai parar até desvendar os mistérios de sua existência. No entanto, algumas verdades são terríveis e assustadoras demais para serem reveladas.




Ari é uma adolescente que passou grande parte da vida em orfanatos e mudando de casas, até que finalmente é adotada por um casal que a ama e protege. Contudo, ela não está satisfeita, o que não é novidade nenhuma em se tratando de um livro YA com uma protagonista de 17 anos. Como se esse clichê já não bastasse, ela ainda possui essa urgência em descobrir os segredos do seu passado e os motivos que levaram sua mãe a lhe abandonar, o que dá inicio a uma série de eventos instigantes, mas confusos e que deixam aquela sensação de "já li isso em algum outro lugar".

Ari

Eu não sou louca. Confie em mim. 
Pág.: 17

Um aspecto que me cativou muito na obra, foi a forma como a autora conseguiu mesclar mitologia com elementos sobrenaturais, como shapeshifters (transmorfos ou troca-formas, dependendo de algumas lendas). Quando vi comentários que ela fez isso na obra, confesso que fiquei com um pé atrás, pois normalmente são dois elementos que não dão muito certo juntos. Contudo, confesso que gostei da forma que ela o fez e foi uma surpresa muito agradável ver que, mesmo com todos os clichês presentes, a autora ainda conseguiu ser original em alguns aspectos. 

Entretanto, mesmo tendo gostado do que fora acima mencionado, devo salientar que frequentemente pensei em desistir da leitura. Ari é uma adolescente que é teimosa e está disposta a fazer de tudo para obter respostas, mesmo que para isso ela tenha que ignorar os avisos de todos ao seu redor. Como exemplo, temos o fato de que ela prometeu não ir a Nova 2 sem seus pais adotivos, e ainda assim ela vai, afinal, o que poderia dar errado? (¬.¬).

Mostre sua verdadeira face.

O sangue congelou nas minhas veias.
Na minha mente, não havia dúvidas sobre quem era essa nova presença no salão. Quem mais poderia ser?
Pág.: 204

O final foi um tanto quanto surpreendente, pois ao longo da história criei várias teorias sobre o passado e origem da protagonista, e pouquíssimas delas estavam corretas, o que foi uma surpresa. Infelizmente não posso dar muitos detalhes, mas quem ama mitologia grega vai adorar o final da obra. 

A edição está simples, mas muito bem feita. A capa é em tons de roxo e amarelo e possui Ari usando uma máscara no estilo "Baile de Gala Vitoriano". A diagramação está agradável aos olhos, sem ilustrações, mas com um espaçamento entre linhas que facilita a leitura. Não encontrei erros de revisão ou tradução aparentes. Recomendo para quem gosta do gênero, mas já aviso que as chances de você desistir não são pequenas. 

Sorteio: O Código Da Vinci - Dan Brown (Edição Especial)


Hey pessoal, tudo bem?

Quer levar para casa um exemplar da Edição Especial desse livro maravilhoso? Para concorrer é simples, basta preencher a primeira entrada, que é LIVRE, e você já está participando. Contudo, caso queira mais chances de ganhar, assim que a referida entrada for preenchida, as EXTRAS serão liberadas e algumas delas podem ser usadas todo dia, ou seja, muito mais chances para você!

A opção "tweet about the giveaway/ tweetar sobre o sorteio" é renovada a cada 24 horas, assim, todo dia que você tweetar a frase e preencher essa entrada, seu nome será adicionado mais vezes.

Qualquer dúvida quanto ao uso do formulário basta entrar em contato pelos comentários ou pela aba de "Contato" no menu do blog.

OBS: O formulário do Rafflecopter sofreu alterações nas entradas EXTRAS para curtir a página no Facebook. Para que tal entrada seja validada, é necessário CURTIR a página, e não só visitá-la como manda o formulário.
  1. O ganhador deverá responder ao e-mail que mandarmos em até 48 horas. Caso não o faça um novo sorteio será realizado.
  2. O livro será ENVIADO em até 30 dias úteis pela editora.
  3. O blog não se responsabiliza por danos ou extravios causados pelos Correios.
  4. Caso o ganhador forneça o endereço errado e o pacote retorne, o mesmo perderá o direito ao prêmio.
  5. O ganhador deve ser residente e domiciliado em território nacional.
  6. O ganhador que descumprir alguma das regras será desclassificado.

"Que a sorte esteja sempre a seu favor!!"

O Código Da Vinci - Dan Brown

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

O Código Da Vinci mal havia chegado ao mundo em 2003 e já estava causando polêmica no âmbito religioso devido, exclusivamente, ao seu conteúdo, que segundo eles seria uma afronta aos ensinamentos e à vida de Jesus Cristo na Terra. Como já era de se esperar, o livro foi um sucesso de vendas e acabou recebendo, em meio às críticas positivas, avaliações contundentes de religiosos. 


Um assassinato dentro do Museu do Louvre traz à tona uma sinistra conspiração para revelar um segredo protegido por uma sociedade secreta desde os tempos de Jesus Cristo.
Com a ajuda da criptógrafa Sophie Neveu, o professor de Simbologia Robert Langdon segue pistas ocultas nas obras de Leonardo Da Vinci e se debruça sobre alguns dos maiores mistérios da cultura ocidental – do sorriso da Mona Lisa ao significado do Santo Graal.
Mesclando os ingredientes de um envolvente suspense com informações sobre obras de arte, documentos e rituais secretos, O Código Da Vinci consagrou Dan Brown como um dos autores mais brilhantes da atualidade e agora chega em nova versão, especialmente preparada para o público jovem, com fotos coloridas que enriquecem ainda mais o livro.




O que parecia ser uma habitual noite para Robert Langdon, professor de Simbologia Religiosa da Universidade de Harvard, acabou se tornando uma grande aventura para desenredar a maior conspiração do mundo. Após o curador do museu do Louvre, Jacques Saunière, ter sido encontrado morto na Grande Galeria, Langdon foi chamado devido às simbologias encontradas em seu corpo e à sua estranha posição que reproduzia a do Homem Vitruviano. O que ele não esperava era que um último trecho de uma das pistas deixadas por Saunière o tornaria o suspeito número um aos olhos da polícia francesa, principalmente do delegado Bezu Fache, simpatizante da Opus Dei, uma organização que vem há séculos tentando pôr as mãos na Pedra-Chave, que revelaria parte do segredo, para destruí-la. 

Com a ajuda de Sophie Neveu, uma criptógrafa da DPJF (Departamento de Polícia Judiciária Francesa) e neta de Saunière, Langdon consegue sair do Museu do Louvre, dando início a uma grande investigação que os conduzirão ao maior segredo já guardado e que pode abalar os pilares da igreja como a conhecemos. 

A Última Ceia
Uma pintura. Vários símbolos.
SO DARK THE CON OF MAN
Tão sombria a traição dos homens
Pág.: 84

Aos que não sabem, O Código Da Vinci é o segundo livro que traz o professor Robert Langdon como protagonista, sendo sua primeira aparição em Anjos e Demônios (2000), outra obra do autor que causou polêmica em seu lançamento. Não vou negar que mantenho certo fascínio pelas obras de Dan Brown, já que suas narrativas conseguem causar discussões que afetam diversas áreas que possuem instrumentos correlacionados com a religião, como a cultura, a arquitetura das igrejas e a arte em si, carregada de interpretações e de símbolos e seus significados, que podem ter sido alterados de acordo com a necessidade humana de um determinado período. 

Por misturar ficção com a realidade, o que já podemos considerar como uma das mais visíveis características do autor, o livro conta com inúmeras descrições de obras de artes, elementos da arquitetura e, principalmente, fatos históricos. Devido a isso, há muitas explicações que auxiliam os leitores mais leigos nos assuntos ali expostos, o que é bom por um lado, mas por outro pode acabar entediando aqueles que já detêm maiores conhecimentos, levando-os a crerem que o autor está apenas enrolando na narrativa. A obra é narrada em terceira pessoa e apresenta tanto o ponto de vista daqueles que protegem o segredo e daqueles que desejam destruí-lo.

Dan Brown é conhecido por sua escrita simples, mas que consegue reproduzir sensações e emoções nos leitores devido às suas boas descrições de cenas de ação e, sobretudo, mistérios. Em consequência, é difícil não se apegar à sua narrativa carregada de enigmas. O interessante é a forma como nós mesmo paramos um pouco a leitura com o intuito de tentar decifrar os problemas antes dos personagens, que por sinal apresentam personalidades singulares, como é o caso do albino Silas, fiel seguidor da Opus Dei, ou o Bispo Manuel Aringarosa. Impossível não sentir um pequeno ódio por eles.  A trama em si gira em torno de uma sociedade secreta, o Priorado de Sião, que tinha como membros renomados cientistas, pesquisadores e artistas, como Leonardo da Vinci, Victor Hugo, Sir Issac Newton, dentre outros que seriam responsáveis por guardar e transferir o grande segredo a cada geração afim de mantê-lo "vivo". 

O Código Da Vinci recebeu em 2006 uma adaptação cinematográfica com Tom Hanks encarnando Robert Langdon. Depois de ler esta obra, revi o filme e pude tirar algumas conclusões: (1) o filme tenta mostrar a todo momento que o professor é mais inteligente que Sophie Neveu; (2) que aparece quase que somente uma mera ajudante feminina, o que é bem diferente do que vemos no livro, onde ela demonstra maior inteligência e rapidez para decifrar os enigmas e anagramas presentes ao longo da trama; e (3) há algumas diferenças de locais, situações e caracterização de alguns personagens. Entretanto, o filme consegue expressar a essência do livro e pude perceber que alguns diálogos foram mantidos. 

Capela Rosslyn
Capela Rosslyn e sua arquitetura gótica.
IN LONDON LIES A KNIGHT A POPE INTERRED.
Cavaleiro em Londres um Papa enterrou.
Pág.: 207

O final do livro pode ser um pouco previsível para quem nunca o leu, visto que há algumas dicas ao longo da trama que podem levar o leitor a conclusão, mas isso não retira a emoção das reviravoltas e revelações. Por mais que seja uma ficção, O Código Da Vinci foi uma excelente leitura e uma visita a arte e arquitetura renascentista e gótica, apesar de alguns críticos evidenciarem suas insatisfações sobre Dan Brown ignorar alguns elementos destas duas áreas que se correlacionam. 

Esta é uma edição especial para jovens, portanto, há algumas ilustrações e fotos no meio do livro que podem ser consultadas ao longo da leitura, até mesmo para apreciar ou se situar. Além disso, contamos com páginas amareladas e uma bela ilustração na capa que brinca com o anagrama da Pedra-Chave. Sobre a diagramação, há um ótimo espaçamento entre linhas e um agradável tamanho de fonte. Não encontrei erros aparentes na revisão. 

As Aventuras de Wonder Woman na Super Hero High - Lisa Yee

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Eu adoro histórias fofas, e essa ganhou um espacinho especial em minha estante porque a protagonista é uma das minhas super-heroínas favoritas. Enquanto aguardo ansiosamente o lançamento do filme da Mulher Maravilha, me deliciei com sua versão adolescente.



Wonder Woman é uma guerreira e princesa amazona. Criada na Ilha Paraíso, ela sempre sonhou em ser uma super-heroína – a melhor de todas as super-heroínas. As aventuras de Wonder Woman na Super Hero High é o primeiro livro da série DC Super Hero Girls, bem-sucedido projeto multiplataforma da DC Comics, com websérie no YouTube, jogos e aplicativos, além de uma linha de bonecas e fantasias. Escrita pela premiada Lisa Yee, a série apresenta os clássicos heróis da DC Comics – entre eles Wonder Woman, Batgirl, Green Lantern e Arlequina – para uma nova geração de leitores. Com foco nas jovens heroínas, a autora leva os personagens para uma escola especial onde eles aprendem a usar seus poderes e vivem grandes aventuras, enquanto passam por situações e dilemas típicos da adolescência. Uma nova roupagem para ícones da cultura pop que agrada tanto aos velhos fãs quanto aos mais novos.




Antes de saírem salvando o mundo, os super-heróis precisam frequentar a escola e aprender como se portar, quais trajes usar e passar por uma série de treinamentos necessários para moldar a personalidade. Apesar de adorar viver na Ilha Paraíso, Wonder Woman anseia por novas experiências e acredita que a Super Hero High tem o necessário para torna-la uma heroína melhor. Comandada por Amanda Waller, o colégio reúne diversos tipos de heróis e humanos com inteligência e talentos notáveis. O maior desafio de Wonder será aprender regras básicas de convivência com outros adolescentes.

Alunas da Super Hero High

O brilho de boas vindas da Amethyst atraiu Wonder Woman, e, quando ela viu a Super Hero High, soube em seu coração que ali era o seu lugar.
Pág.: 13

Não ligo para o fato de ser um pouco “velha” demais para essas coisas, além de ler o livro eu ainda vi o desenho, amei ambos, mas posso afirmar que o livro é um pouco melhor por ser mais rico em detalhes. A linguagem é infantilizada e de fácil compreensão, há a constante repetição de nomes e expressões, mas acredito que essa estratégia visa melhorar a compreensão do texto, já que a carga literária de uma criança é mais reduzida do que a de um adulto.

Os nomes dos personagens não receberam a tradução pela qual muitos os conhecem, achei isso um pouco falho, já que o público alvo não terá tanta facilidade para assimilar com os dos desenhos e quadrinhos, Cheetah (Mulher-Leopardo), Beast Boy (Mutano), Hawkgirl (Mulher-Gavião), são apenas alguns deles. Já imaginaram os vilões mais odiados da DC frequentando uma escola que visa formar heróis? É o que acontece, mas eles estão sempre aprontando pequenas maldades, e assim o leitor poderá conhecer a maior parte dos personagens da DC.

Conheçam a escola.

Nada mais foi o mesmo para Wonder Woman depois disso. Por outro lado, quando um dia é igual ao anterior? Amigos e inimigos – e os que ficavam entre um e outro – estavam claros. Pelo menos por ora.
Pág.: 245

A proposta da DC, em parceria com Lisa Yee, de criar essa história é maravilhosa, pois é destinada a um público mais jovem e traz enfoque nas personagens femininas. É notável que esse universo de super-heróis é mais voltado aos meninos, basta ver a quantidade de brinquedos, roupas e acessórios que visam atingi-los ao utilizar esse tema, por isso é bom ver que isso está mudando, pois nós também gostamos e queremos ser heroínas. Agora só falta a DC parar de criar uniformes sexistas, já fizeram isso nessa nova série, mas não queremos que essas futuras fãs fiquem confusas quando verem as outras versões das roupas das protagonistas, não é?

A capa é maravilhosa, todas as vezes que tirava o livro de dentro da bolsa alguém parava para admirá-lo. A diagramação é agradável aos olhos, as páginas contêm ilustrações que remetem ao estilo cartoon e são amareladas, a fonte é grande. Esse volume é focado na Mulher Maravilha, acredito que o próximo irá retratar a Supergirl. Leitura recomendada.

Ajin Vol. 1 - Gamon Sakurai & Tsuina Miura

Hey pessoal, tudo bem?

Ajin foi uma obra ímpar de ser lida. Uma das melhores sensações como leitor é criar altas expectativas para com a obra e elas não só serem atendidas, como irem além do que você imaginou que seria. Tsuina Miura conseguiu criar um mundo envolto em suspense e terror, mas que sempre reforça a importância dos laços de amizade, bem como o quão poderoso é o medo e preconceito da sociedade com aquilo que eles desconhecem. Isso, somados ao enorme talento artístico de Gamon Sakurai, faz com que tenhamos uma obra prima que irei acompanhar até o último volume. Antes mesmo de terminar de escrever essa introdução já tinha aberto a página da Amazon para comprar o volume 2 *__*.





Kei Nagai está focado nos seus estudos para entrar em uma Faculdade de Medicina e vive uma vida mediana com falsos amigos, enquanto pensa apenas em como vencer na vida... até o dia em que descobre ser um Ajin, uma entidade imortal! Encurralado pela polícia e pela sociedade, que sai à sua caça para submetê-lo a experiências científicas, seu único aliado é Kai, um antigo amigo de infância com quem havia cortado relações!







A história de Ajin é ambientada em nossa sociedade atual, contudo, com um pequeno diferencial: existem os Ajins, seres humanos que após morrer, voltaram à vida, não como zumbis, mas exatamente como eles eram antes de morrer, ou seja, se você fosse atropelado e perdesse uma perna, você iria se regenerar ao mesmo estado que era antes de ter morrido. Não existe um meio de saber quem é ou não um Ajin, pois a única forma de se saber é morrendo. Nesse contexto, temos Kei Negai, um jovem que está estudando para entrar na faculdade de medicina para mudar de vida, até o momento em que ao atravessar a rua é atropelado e descobre ser um Ajin. 

Seu rosto está em todos os noticiários, as pessoas o estão caçando para entregar ao governo, que vem fazendo experimentos com os Ajins no intuito de saber o motivo pelo qual eles são do jeito que são, e quem sabe com isso alcançar o que o homem vem buscado por milênios: imortalidade. Uma vez que Kei descobre o que é, tudo muda, seus amigos o tratam como uma aberração e sua mãe diz que seu filho morreu no incidente e que aquilo na frente dela é apenas um monstro que tomou sua forma. Em meio a tanto caos, agencias do Governo brigam entre si para ver quem irá capturá-lo primeiro, e a única esperança de Kei é Kai, um amigo de infância que fará de tudo para ajudar o amigo a escapar. 

O Fantasma Negro

A comunidade de Ajin deve ser dividida em basicamente dois tipos. Secreta, reclusa, sem contato com a humanidade, ou terrorista. Bom, se for isso... fazer o que? Tem muita gente que merece morrer, mesmo. 
Pág.: 226

A obra não só possui uma história cativante, como também apresenta um traço lindo e muito bem detalhado. Os personagens principais são bem construídos e o ritmo da narrativa deixa o leitor à "flor-da-pele", trazendo momentos de suspense, adrenalina, terror e aventura, principalmente nos capítulos que retratam a perseguição de Kei pelas entidades do governo e da população, afinal, existe uma recompensa para quem o capturar. 

O traço, como disse, é muito bem feito e consegue retratar nos mínimos detalhes tudo o que está acontecendo, ao contrário de mangás mais simplórios como Blood Blockade Battlefront, que apesar de ter uma história interessante, conta com um traço mal feito, fazendo com que muitas vezes ele pareça torto ou desconexo com a história, o que não ocorre com Ajin

Traço do Mangá

O primeiro Ajin foi descoberto 17 anos atrás, na África. Era um militar chamado de "Soldado de Deus" pelos locais. O Exército americano o capturou e sua existência foi divulgada, foi a maior descoberta da humanidade. 
Algumas pessoas chegaram a entrar em pânico, achando que se tratava de uma invasão alienígena. Hoje em dia, as coisas deram uma acalmada. 
Pág.: 12/13

Não posso dar muitos detalhes sobre o que acontece senão iria acabar estragando a história para quem vai ler a obra, mas, como disse no começo do texto, Ajin conseguiu suprir expectativas e ir além. Não vejo a hora de colocar as mãos no segundo volume e saber o que acontece agora que os Fantasmas Negros apareceram *__*. 

A Panini está de parabéns com a edição desse mangá. Além de ter orelhas, o que não é comum em obras do gênero, contamos com várias ilustrações coloridas e o papel usado nas páginas é mais resistente e de melhor qualidade, ou seja, não tem aquela vibe de "papel de jornal" como é o caso de Fate Stay Night ou Blood Blockade Battlefront. A ilustração da capa é maravilhosa e é feita em verniz localizado. Abaixo vocês podem conferir o trailer da adaptação que a Netflix fez da obra. Recomendo para todo mundo que está buscando uma aventura com doses cavalares de suspense e adrenalina. 



O Primeiro Dia do Resto de Nossas Vidas - Kate Eberlen

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Dependendo do momento pelo qual estamos passando, existem livros que definitivamente não irão agradar. Normalmente busco leituras leves e divertidas que trazem mensagens positivas e um enredo alegre quando quero distrair a mente e evitar pensar em coisas ruins, foi por isso que escolhi O Primeiro Dia do Resto de Nossas Vidas, mas acabei me decepcionando ao perceber que ele não era o que eu esperava.


Tess e Gus foram feitos um para o outro. Só que eles não se encontraram ainda.
E pode ser que nunca se encontrem... Tess sonha em ir para a universidade. Gus mal pode esperar para fugir do controle da família e descobrir sozinho o que realmente quer ser. Por um dia, nas férias, os caminhos desses dois jovens de 18 anos se cruzam antes que os dois retornem para casa e vejam que a vida nem sempre acontece como o planejado.
Ao longo dos dezesseis anos seguintes, traçando rumos diferentes, cada um vai descobrir os prazeres da juventude, enfrentar problemas familiares e encarar as dificuldades da vida adulta. Separados pela distância e pelo destino, tudo indica que é impossível que um dia eles se conheçam de verdade... ou será que não?O Primeiro Dia do Resto da Nossa Vida narra duas trajetórias que se entrelaçam sem de fato se tocarem, fazendo o leitor se divertir, se emocionar e torcer o tempo todo por um encontro que pode nunca acontecer.



A vida de Tereza estava prestes a passar por uma mudança significativa. Enquanto conhecia Florença e esperava ser aprovada na faculdade, ela vivenciava os melhores momentos de sua vida: já havia visitado belos monumentos, saboreado comidas maravilhosas e até mesmo visto um rapaz muito bonito que chamara sua atenção, ou seja, tudo parecia perfeitamente em ordem, até chegar em casa e descobrir que sua mãe estava doente, o câncer nos ovários havia chegado ao fígado e consumia sua saúde.

A viagem de férias era uma forma dos pais se desviarem um pouco do luto, Gus também sentia falta do irmão, por isso tentava da melhor forma preencher sua ausência atendendo às vontades dos pais. Medicina não era sua primeira escolha, entretanto era o curso de Ross, e o pai se orgulharia de ter filhos médicos. Angus sempre foi tímido, não soube sequer conversar com a garota bonita que conhecera em Florença, mas ele espera que as coisas mudem na faculdade.

Capa Estrangeira

Disse a mim mesmo que seria indelicado não aceitar a generosidade dos meus pais, mas a verdade era que eu não passava de um covarde.
Pág.: 26

A escrita de Kate Eberlen é excessivamente detalhada e isso tornou a leitura um pouco arrastada e cansativa, mas é impossível não imaginar as cenas com perfeição. A obra é dividida entre o que acontece na vida de Tess e na de Gus, eles só se encontraram em Florença, depois disso o destino parece pregar peças nos dois, pois sempre que eles estão prestes a se conhecer melhor, algo os afasta. A história passa por vários saltos temporais, isso é um pouco frustrante, pois o leitor começa a perder as esperanças de que eles fiquem juntos. O que mais me incomodou na narrativa foi a constante repetição da frase: “Hoje é o primeiro dia do resto da sua vida

Tess é o tipo de pessoa que abre mão dos próprios sonhos para fazer o que acha justo, é linda a dedicação que ela tem com a mãe e a irmã, mas em determinados momentos fiquei com raiva por ela abrir mão de seu futuro. Gus é o tipo de pessoa insegura, que cede aos desejos dos outros sem ao menos tentar fazer o que deseja, não gostei muito dele, principalmente por ficar se comparando ao irmão. 

Autora


Desliguei o telefone e foi nesse momento que chorei. Soluços altos e angustiados. Parece egoísta, não? Mas não era apenas o fim do meu sonho. Era o fim do sonho de minha mãe também. Ir para a universidade era o nosso projeto.
Pág.: 47

Como já disse, escolhi esse livro por pensar que se tratava de uma obra leve, divertida e empolgante, entretanto encontrei um drama carregado de morte e tristeza que me deixou angustiada com as histórias dos personagens. Senti-me sufocada por uma sensação ruim na maior parte da leitura, por isso decidi abandoná-la. Quando superar essa ressaca literária pela qual estou passando, talvez dê uma segunda chance para o livro, mas até lá, vou continuar preferindo ler algo mais suave.

A capa é muito charmosa. A diagramação é simples e agradável aos olhos, as páginas são de tom amarelado e a fonte é grande. Não gostei desse livro, mas como disse, isso está ligado ao momento que estou vivenciando, porém, recomendo que leiam para tirarem suas próprias conclusões sobre a obra. ^_^

O Problema dos Três Corpos - Cixin Liu

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Escrito por Cixin Liu, O Problema dos Três Corpos foi uma inesperada e grata surpresa, já que sua narrativa se mostrou competente em suas propostas e traz reflexões acerca do ser humano e suas relações em um dos momentos mais "obscuros" e de amplos conflitos ideológicos na China, a Revolução Cultural Chinesa




China, final dos anos 1960. Enquanto o país inteiro está sendo devastado pela violência da Revolução Cultural, um pequeno grupo de astrofísicos, militares e engenheiros começa um projeto ultrassecreto envolvendo ondas sonoras e seres extraterrestres. Uma decisão tomada por um desses cientistas mudará para sempre o destino da humanidade e, cinquenta anos depois, uma civilização alienígena a beira do colapso planeja uma invasão. O problema dos três corpos é uma crônica da marcha humana em direção aos confins do universo. Uma clássica história de ficção científica, no melhor estilo de Arthur C. Clarke. Um jogo envolvente em que a humanidade tem tudo a perder.





Após ver seu pai sendo morto e sua família sendo "dividida" pelas forças da Revolução Cultural Chinesa, Ye Wenjie, assim como seu pai, torna-se uma astrofísica. Passando por momentos tensos enquanto servia na Cordilheira Grande Khingan, onde conheceu Bai, um repórter do Diário da Grande Produção, o qual lhe empresta um banido livro chamado Primavera Silenciosa, escrito por Rachel Carson, e lhe pede para transcrever uma carta. Entretanto, após ser traída por Bai, Ye é presa por conspirar contra a Revolução e depois de certo tempo acaba sendo convidada para trabalhar como astrofísica na Base da Costa Vermelha, onde irá viver o restante de sua vida. 

Décadas depois, passamos a conhecer um especialista em nanomateriais, Wang Miao, cujo futuro terá influências diretas das pesquisas e projetos desenvolvidos por Ye Wenjie e outros astrofísicos e engenheiros. Após ser convidado pelo governo para descobrir fatos inexplicáveis que vinham acontecendo com outros cientistas, acaba sendo cercado por um singular jogo online de realidade virtual chamado Três Corpos, onde lhe é apresentado uma civilização alienígena e alguns objetivos, como descobrir o calendário climático do planeta. Fascinado com a logística do game, ele irá tentar resolver o problema dos Três Corpos, porém, durante esse percurso, algumas coisas serão reveladas, o que o conduzirá para uma enorme conspiração. 

Cartaz divulgado durante a Revolução Cultural.

À medida que avançava em suas reflexões, uma dedução lhe deu calafrios: É possível que a relação entre a humanidade e o mal seja semelhante à relação entre o oceano e um iceberg que flutua em sua superfície? Tanto o oceano quanto o iceberg são feitos do mesmo material. O iceberg só parece diferente porque tem outra forma. Na realidade, é apenas uma parte do vasto oceano...
Era impossível esperar um despertar moral da humanidade assim como impossível esperar que os humanos movessem a Terra com seus próprios cabelos. O despertar moral exigia uma força externa à raça humana.

Pág.: 24

Um dos principais pontos positivos deste livro é justamente o seu embasamento na Revolução Cultural Chinesa, proposta por Mao Tsé-Tung, que mobilizou as massas chinesas, trazendo um pouco de veracidade para a narrativa desenvolvida por Cixin Liu, o que, querendo ou não, acabou ocasionando em sensações e emoções de grande impacto, até mesmo pelo fato dele expor de uma forma nua as crueldades das guerras e suas consequências, como as mortes em vão dos soldados e civis, e o desmatamento que esses conflitos proporcionam. Além disso, acredito que a história de vida do autor também possa ter influenciado na ambientação e na explicação de algumas informações, o que deu um toque de "pessoal" à trama. 

O livro, que se integra ao gênero de Ficção Cientifica, carrega consigo uma demasiada quantidade de informações técnicas sobre a movimentação dos astros, Física Clássica e Física Moderna e suas tecnologias, deixando a leitura um pouco complicada para aqueles não detêm conhecimentos prévios. A narrativa é feita em terceira pessoa, o que proporcionou ambientações fantásticas, principalmente durante as sessões de Wang no jogo.   

O objetivo do jogo parece simples, mas acaba envolvendo e intrigando diversos cientistas devido as circunstâncias do planeta Trissolaris, onde o sol se comporta de duas maneiras: (1) ausente, diminuindo a temperatura do astro e congelando seus habitantes; (2) próximo, incendiando tudo e todos. Com isso, cria-se uma necessidade de descobrir quando as eras estáveis se iniciam e se encerram. Outro fato interessante é que a população deste mundo tem o costume de se desidratarem e se hidratarem devido as imprevisíveis catástrofes naturais citadas acima. 

Cixin consegue expor as dificuldades ideológicas vivenciadas durante a Revolução Cultural de forma crítica sem fazer uso da sutileza para se expressar. Desta forma, vemos como os cientistas e intelectuais da época foram reprimidos por serem considerados violentos revolucionários, inclusive chegamos a ver que a Teoria da Relatividade de Albert Einstein foi simplesmente taxada como um produto e símbolo do capitalismo e que suas palavras eram impostoras. Liu brinca com esses jogos de símbolos e expressões durante o desenvolvimento da narrativa de uma forma explícita que chega a ser chocante. 

Autor

O universo não era desolador. Não era vazio. Era cheio de vida! A humanidade havia dirigido seu olhar para os confins do universo, mas não fazia ideia de que a vida inteligente já existia nas estrelas mais próximas da Terra!
Pág.: 222

O Problema dos Três Corpos faz parte de uma trilogia, portanto, não há um final definitivo. Entretanto, seu encerramento consegue provocar o leitor a continuar a leitura ao deixar algumas pontas soltas, o que pode incomodar algumas pessoas. Além disso, senti uma falta de personalidade em Wang Miao, contrastando com Ye Wenjie. Depois de me surpreender com esse livro de forma positiva, fico no aguardo do segundo volume, onde espero algumas respostas e ter novamente o contato com essa agradável escrita. 

A diagramação está simples, mas com um ótimo espaçamento entre linhas e um tamanho de fonte agradável. Na edição temos páginas amareladas, uma lista de personagens e uma bela ilustração na capa que acredito ser uma representação do planeta Trissolaris. Quanto a revisão, não encontrei erros aparentes. 

Novembro, 9 - Colleen Hoover

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Sempre vi o amor como algo que não precisa somente da aparência para existir, podemos nos sentir atraídos por ela, mas nos apaixonamos por quem a pessoa é, pelos sonhos, escolhas, desejos e até mesmo pelos defeitos. E quando o amor vem, não há distância que o impeça de ficar. Novembro,9 fala sobre o amor que enfrenta os erros, as mágoas, a dor e vários quilômetros de distância.



Autora número 1 da lista do New York Times retorna com uma história de amor inesquecível entre um aspirante a escritor e sua musa improvável. Fallon conhece Ben, um aspirante a escritor, bem no dia da sua mudança de Los Angeles para Nova York. A química instantânea entre os dois faz com que passem o dia inteiro juntos – a vida atribulada de Fallon se torna uma grande inspiração para o romance que Ben pretende escrever. A mudança de Fallon é inevitável, mas eles prometem se encontrar todo ano, sempre no mesmo dia. Até que Fallon começa a suspeitar que o conto de fadas do qual faz parte pode ser uma fabricação de Ben em nome do enredo perfeito. Será que o relacionamento de Ben com Fallon, e o livro que nasce dele, pode ser considerado uma história de amor mesmo se terminar em corações partidos?





A data fazia Fallon se lembrar de um momento de dor, mas para seu pai não representava nada, pois foi o dia em que, por um descuido, incendiou a casa e se esqueceu da filha em meio às chamas, fazendo com que ela sofresse terríveis queimaduras por todo o corpo e precisasse abrir mão de sua promissora carreira como atriz. Desde então a vida dessa jovem nunca mais foi a mesma, ela passou a se esconder por trás do cabelo longo e blusas de frio que tampam toda a pele, sua autoestima a impedia de acreditar que alguém fosse achá-la atraente. Até conhecer Ben.

O almoço com o pai era para ser um teste, a data foi escolhida estrategicamente, seu acidente estava completando dois anos, e ela esperava que Donovan dissesse algo, mas o pai era um babaca, em todos os amplos sentidos dessa palavra. A sorte de Fallon era que naquela noite se mudaria para Nova York. Quando o almoço com o pai começa a tomar forma de briga, um rapaz sentado na mesa atrás deles decide se aproximar e fingir ser o namorado da moça, tomando partido em sua defesa, logo o pai vai embora e os dois passam a se conhecer melhor. Quem diria que uma data tão ruim poderia ser marcada por sensações tão boas?

Você jamais conseguirá se encontrar enquanto estiver perdida em outra pessoa.

Rio outra vez, depois pressiono o rosto em seu peito e o abraço também. Por que ele não estava lá no segundo em que acordei no hospital, dois anos atrás? Por que tive de enfrentar dois anos inteiros antes de finalmente ter alguma confiança?
Pág.: 64

Depois que Fallon se muda para Nova York, ela e Ben decidem se ver uma vez por ano, naquela mesma data, durante cinco anos, assim ele teria conteúdo para um nova história, pois passaria a escrever sobre eles, e ela teria tempo para amadurecer antes de entrar de vez em um relacionamento. A relação dos personagens é bastante inusitada e romântica, adorei ver a persistência de ambos em tentar manter esse ritual apesar de todas as dificuldades que aparecem com o tempo. Confesso que em alguns momentos fiquei angustiada, querendo que tudo se resolvesse logo.

Fallon é sarcástica, em todas suas falas podemos perceber certo tom de crítica ou amargura, ela usa palavras fortes e engraçadas para passar a impressão de que lida bem com a própria realidade, quando na verdade só quer esconder como realmente se sente. Ben é um rapaz doce e sincero, conseguiu arrancar de mim boas gargalhadas, e apesar de alegar que não é do tipo de pessoa que gosta de romance, acaba tendo atitudes dignas de um bom livro água com açúcar.

Em cada página, um pouco do que eles viveram.

Preciso me lembrar que existe mais de um jeito de as pessoas demonstrarem amor. E apesar de o jeito dele e o meu serem contrários, ainda é amor.
Pág.: 339

Em comparação com outros livros da Collen, este não é o melhor que já li. Entretanto, também não é o pior, só não está no mesmo patamar que O Lado Feio do Amor. A obra apresenta um enredo bem construído, personagens cativantes e um elemento surpresa capaz de deixar o leitor sem chão. O final é simplesmente lindo, essa autora sempre consegue passar uma mensagem capaz de nos deixar pensando durante horas a respeito do que foi lido. A história avança de ano em ano, e durante o encontro dos personagens descobrimos o que cada um fez durante o ano anterior. Depois de alguns capítulos percebi que mal podia esperar para saber o que aconteceria com os dois no ano seguinte, pois a relação deles começa a mudar.

A capa é enigmática, se não conhecesse o estilo da autora ficaria em dúvida sobre qual é o conteúdo da obra, gostei bastante dessa neutralidade. A diagramação é simples e agradável aos olhos, as páginas são de tom amarelado e a fonte é mediana. Não encontrei erros de revisão ou digitação. Leitura recomendada.

O Evangelho de Loki - Joanne M. Harris

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Tendo como objetivo mostrar os acontecimentos presentes na mitologia nórdica, desde a criação dos mundos até o Ragnarök, o Crepúsculo dos Deuses, por uma diferente e surpreendente ótica, O Evangelho de Loki consegue ser fascinante e viciante desde o seu prólogo até o seu encerramento, prendendo o leitor do começo ao fim. 




Com sua notória reputação para trapaças e enganações, Loki é um deus nórdico sem igual. Nascido demônio, é visto com profundas suspeitas por seus companheiros deuses, que jamais o aceitarão como um deles; por conta disso, Loki promete se vingar. Mas enquanto o deus-demônio planeja a derrocada de Asgard e a humilhação dos seus opressores, poderes maiores conspiram contra os deuses e uma batalha é arquitetada para mudar o destino dos Mundos. Do recrutamento por Odin do reino do Caos, através dos anos como solucionador de problemas de Asgard, até a perda do seu posto no desenrolar para o Ragnarök, este é o Evangelho de Loki, a sua longa e curiosa versão da história — e se alguém disser o contrário, não acredite!





Depois de tantas versões disseminadas ao longo dos anos, Loki nos apresenta o seu ponto de vista dos acontecimentos, e seus pensamentos sobre estes, contrariando a versão autorizada que é sustentada pelo Oráculo. Para começarmos, ele nos conta que a vida como a conhecemos veio da ruptura do gelo do Mundo Superior pelo fogo do Mundo Inferior, originando o primeiro homem, Buri, pai de Bór, que por sua vez é pai de Odin, Vili e Vê; e que os mundos foram erguidos através das ganâncias dos deuses. A ganância e sede de poder de Odin, o Caolho, o Ancião e Pai de Todos, acabou resultando em alguns conflitos, principalmente com o povo do gelo e da pedra, e inimigos poderosos, como a feiticeira Gullveig-Heid. 

Loki, filho de um relâmpago e de uma pilha de galhos secos, é um demônio, um Incêndio, que acaba "traindo" o Caos e o mundo inferior após abandonar seu Aspecto flamejante, aventurando-se no mundo superior e fazendo um acordo com Odin em que ele iria proteger/auxiliar e questionar a Ordem em seu reino em troca de se tornar um Deus. Apesar das promessas de proteção do Pai dos Deuses, ele acaba sendo repudiado em Asgard, onde sofre o preconceito e a opressão dos asgardianos, e experimenta sensações inéditas, como a dor, já que agora terá que assumir uma forma humana. Ao tentar se aproximar dos outros deuses, acaba por complicar ainda mais sua relação com eles diante de uma situação inesperada, mas seus truques e trapaças os surpreendem. Apesar disso, acaba por fazer alguns inimigos, como Thor e Heimdall. Traído pelas palavras e promessas de Odin que nunca se cumpriram, ele começa a buscar a sua vingança explorando as fraquezas dos deuses e gerando alguns conflitos até a queda de seus traidores. 

Loki: vilão ou injustiçado?

No final das contas, palavras são o que resta quando todas as ações estão completas. Palavras podem estilhaçar a fé, dar início a uma guerra, mudar o curso da história. Uma narrativa pode fazer seu coração bater mais rápido, derrubar paredes, escalar montanhas... Ei, uma boa trama pode até levantar os mortos. E é por isso que o Rei das Histórias se tornou o Rei dos deuses, por que escrever e fazer história estão apenas a uma página de diferença.
Pág.: 19

Os Filhos de Odin (Padraic Colum) foi uma leitura que fiz em 2015. Desta maneira, foi quase impossível não me recordar deste livro ao ler O Evangelho de Loki, já que algumas histórias se mostraram bem semelhantes, apesar da versão de Colum se aproximar mais da narrada pelo Oráculo. Entretanto, ambos compartilham da mesma qualidade: a escrita. Joanne M. Harris se mostrou expert com as palavras e conseguiu assumir a personalidade do Deus Trapaceiro, deixando a estranha e interessante sensação de que a obra em si foi escrita por ele, já que seu senso de humor, seu sarcasmo e cinismo foram adequadamente evidenciados e representados. 

Fazendo jus à sua proposta, neste livro é Loki quem nos narra sua versão dos fatos, assumindo o papel de Aquele que vos Fala, ocasionando momentos engraçados face a sua singular personalidade, que, de uma forma ou de outra, cativa o leitor quase que de imediato. A obra é dividida em quatro partes: Luz, Sombra, Pôr do Sol e Crepúsculo, todas trazendo as Lokabrenna: as lições deixadas pelo Deus Trapaceiro, como em quem não devemos confiar e coisas da vida/cotidiano. Apesar de existir essa divisão, algumas histórias não seguem uma ordem cronológica, o que pode confundir alguns leitores. Outro fator a ser levado em conta é que senti uma narrativa mais lenta na metade do livro, mas nada que influencie muito no conjunto final da obra. 

Como dito, a autora sabe utilizar muito bem as palavras, causando sensações e sentimentos nos leitores. Com seus personagens as coisas não foram diferentes, já que suas personalidades foram tão bem trabalhadas que é quase impossível não odiar ou amar algum, até mesmo os secundários. Acredito que este livro não tem um personagem principal, já que não senti um enfoque em somente um, mas em todos e em como se dão suas relações. Loki e Thor são tidos como inimigos, como já lido e visto em outros lugares, entretanto, não percebi tamanha inimizade entre eles, mesmo havendo discussões e conflitos entre as partes. 

Autora

Nunca confie em ninguém: um amigo, um estranho, um amante, um irmão, uma esposa. Mas antes de tudo, lembre-se disso: Nunca confie em um Oráculo.
Pág.: 237

Essa visão de um Loki injustiçado e traído foi bastante interessante, já que retira sua imagem de vilão, ou quase justifica suas posteriores ações, além de trazer uma nova imagem de Odin, o Pai de Todos e dos Deuses. Como dito pelo próprio Deus Trapaceiro, estas histórias não contam com um começo e nem com um fim, entretanto, posso dizer que o encerramento deste livro consegue ser envolvente e fascinante. Assim como o Evangelho de Judas, creio que o real objetivo desta obra não é entrar em conflito com as outras versões da história e se impor acima delas como A Verdadeira, mas expor o outro lado da moeda. 

A diagramação está simples; com um ótimo espaçamento entre linhas e um tamanho de fonte agradável. Na edição contamos com páginas amareladas, uma lista de personagens antes do Prólogo, com descrições feitas pelo próprio Loki, mostrando sua visão sarcástica e cínica dos mesmos, além de uma bela ilustração na capa com detalhes em dourado, como algumas folhas da árvore e o título do livro. Quanto a revisão, não encontrei erros aparentes. Deixo a minha recomendação a todos os amantes da mitologia nórdica e a quem esteja querendo conhecer mais a personalidade d'Aquele que vos Fala.

É um mundo louco onde os deuses se devoram.
                                                       Lokabrenna
Pág: 300

Boa Noite - Pam Gonçalves

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

O sonho de muitos jovens que acabaram de concluir o Ensino Médio é iniciar a faculdade. Se for para morar em uma República e ir a festas com os amigos sempre que possível, é melhor ainda (Rsrsrsrsrs)! Contudo, há um lado ruim em morar fora, já que em momentos difíceis o colo dos pais é o melhor lugar do mundo, mas essa nova fase pode provocar mudanças positivas e essenciais para o amadurecimento. Boa Noite irá mostrar como a vida universitária pode ser conturbada.


Alina quer deixar seu passado para trás. Boa aluna, boa filha, boa menina. Não que tudo isso seja ruim, mas também não faz dela a mais popular da escola. Agora, na universidade, ela quer finalmente ser legal, pertencer, começar de novo. O curso de Engenharia da Computação - em uma turma repleta de garotos que não acreditam que mulheres podem entender de números -, a vida em uma república e novos amigos parecem oferecer tudo que Alina quer. Ela só não contava que os desafios estariam muito além da sua vida social. Quando Alina decide deixar de vez o rótulo de nerd esquisitona para trás, tudo se complica. Além de festas, bebida e azaração, uma página de fofocas é criada na internet, e mensagens sobre abusos e drogas começam a pipocar. Alina não tinha como prever que seria tragada para o meio de tudo aquilo nem que teria a chance de fazer alguma diferença. De uma hora para outra, parece que o que ela mais quer é voltar para casa.





Alina nunca teve uma vida social muito movimentada. Rotulada como a nerd da turma durante o Ensino Médio, decide que as coisas serão diferentes na faculdade. Após se matricular no curso de Engenharia da Computação, ela vê um anuncio de vaga na República das Loucuras, lugar onde acaba conhecendo pessoas maravilhosas a ponto de mostrar que nosso lar é onde o coração está. Aos poucos ela vai se adaptando e vendo em seus companheiros uma verdadeira família.

O período em que cursamos o Ensino Superior é um dos mais marcantes de nossas vidas, conhecemos pessoas com objetivos parecidos com os nossos e frequentamos novos ambientes. Boa Noite mostra o lado bom de estar na universidade, mas também foca nos perigos que isso pode acarretar, principalmente se você for mulher, afinal, nunca se sabe o que colocam em nossas bebidas e o que pode acontecer se acabamos perdendo a consciência. Nossa única certeza é de que não importa se somos as vítimas, seremos julgadas, afinal, "ninguém mandou ir à festas", "ninguém mandou usar roupa curta", "ninguém mandou beber muito", etc. Isso precisa mudar.

Apenas seja cuidadosa...

É bem legal essa coisa toda de independência, poder fazer o que quiser sem dar satisfação ou não ter meus pais sempre dando opinião. Mas agora, aqui, sozinha, depois de uma semana vivendo essa nova realidade, caiu a ficha de que nem tudo é mil maravilhas.
Pág.: 52

A história é leve e divertida do começo ao fim, é impossível não se identificar com alguns aspectos da protagonista e sofrer junto com ela toda vez que algo dá errado, ou que uma injustiça é relatada. Estou encantada pela escrita da Pam Gonçalves, ela me prendeu desde o primeiro momento com um conteúdo que vai evoluindo cada vez mais e acaba fazendo com o leitor fique apreensivo e louco para saber o final. Além disso, esse livro serve como um alerta para todas as calouras, lembrando que a faculdade pode ser sim a realização de um sonho, mas que é preciso ter cuidado.

Adorei cada um dos personagens. Manu é totalmente insana e divertida, uma festa por noite não é o suficiente para acabar com o ânimo que essa moça tem para balada, ela é esperta e dá os melhores conselhos. Gustavo é super protetor com as pessoas de quem gosta, é fofa a maneira como ele lida com o pessoal que mora na República. Talita e Bernardo é o tipo de casal insaciável, na maior parte das cenas em que aparecem estão se pegando, mas são divertidos.

Em um momento difícil, ajude, não julgue!

Mesmo com toda essa tragédia eu me sinto feliz por ter ajudado de alguma forma. Por ter sido útil. Por conseguir fazer a diferença. Ao contrário do que somos educadas a pensar, as outras mulheres não são nossas inimigas, mas sim nossas irmãs. Um time. O exército que precisamos proteger. Se não protegermos e cuidarmos umas das outras, não serão os homens que o farão por nós.
Juntas somos muito mais fortes.
Pág.: 228

Quando iniciei a leitura pensei que seria uma história despretensiosa, com um romance a ser desenvolvido enquanto Alina se descobre como uma nova mulher, entretanto, quase chorei de felicidade quando percebi que era uma narrativa sobre empoderamento, arrepiei quando o movimento Vamos Juntas? foi citado e aplaudi a atitude da protagonista de tentar solucionar os casos de abuso sexual que acontecem em festas de faculdade. Esse assunto precisa ser discutido e a culpa NUNCA é da vítima, não importa onde ela estava ou como se comportou. Nós precisamos nos unir para acabar com essas agressões, pois boa parte dos casos são abafados ou não ganham a devida importância. Meninas que estão se preparando para a vida universitária, vocês PRECISAM ler essa obra e buscar sempre ir à luta quando perceber que algo de errado está acontecendo.

A capa é bonita, acredito que retrata a República das Loucuras. A fonte é pequena, mas isso não atrapalha a leitura pois há um espaçamento ideal entre as linhas. Não encontrei erros de revisão. Simplesmente AMEI esse livro, leitura obrigatória.