Redenção Pelo Amor - Nana Pauvolih

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Estou muito feliz por enfim concluir a trilogia de uma das minhas autoras nacionais favoritas, Nana Pauvolih. Me encantei por sua escrita desde a primeira página e, após rir, chorar e sentir muita raiva desse trio de amigos, enfim estou pronta para conhecer novos personagens e me apaixonar por cada um deles.



Filho mais velho de uma família abastada e tradicional do Rio de Janeiro, CEO do Grupo CORPÓREA & VENERE que eu tornei um grande império multinacional na área de cosméticos, produtos de higiene e beleza, sou o que se costuma chamar por aí de um verdadeiro CONTROLADOR. Tenho sempre tudo planejado e não desisto do que me proponho a fazer.
Peguei uma empresa familiar chamada CORPÓREA, da minha família desde o início do século XX, uni a outra igualmente conhecida, a VENERE, da família da minha esposa Ludmila. E transformei tudo em um grupo internacional, sendo eu o Chefão, o HOMEM por trás de tudo. Tenho milhares de funcionários e nada me afasta do caminho que tracei e que estou cumprindo.
Nem um grande amor.
O único e inesquecível amor que tive aos vinte e seis anos de idade.
Cecília Blanc.



Antônio é o tipo de homem que gosta de manter tudo que o cerca sob seu controle. No relacionamento com Ludmila nunca houve carinho, ambos sabiam que só estavam juntos pelo bem da família, já que após o casamento as empresas dos dois poderia se unir e formar um grupo poderoso, esse sempre foi o sonho de Arnaldo e o filho nunca se importou em sacrificar a própria felicidade para vê-lo se tornar real. Quando conhece Cecília durante um engarrafamento, tudo muda, sua vida minimamente planejada, concentrada em trabalho e faculdade passa a ser comandada por atos impulsivos e momentos alegres.

Cecília Blanc cresceu em uma cidade pequena, mas decidiu morar no Rio para concluir os estudos. Seu jeito humilde e simpático conquista as pessoas por onde passa, e o herdeiro do império Saragoça não estava imune. Ele tinha o sorriso mais lindo que ela já tinha visto, além de belos olhos azuis e um jeito mandão que a divertia. Apesar de ser uma mulher romântica, Cecilia sempre teve medo de se entregar a um relacionamento e acabar percebendo que a pessoa estava se aproveitando dela e de seus sentimentos, mas sentia que com Antônio tudo seria diferente.

Antônio e Cecilia

Não estava com ela para usá-la. Mas porque mexia comigo como nenhuma outra mulher. Eu tinha separado bem Cecília de Ludmila, pois uma era prazer, e a outra, compromisso e obrigação. No entanto, as dúvidas e a culpa começavam a me espetar. Porque não era só um caso passageiro e leve. Estávamos envolvidos. E eu tinha plena consciência de que não acabaria bem.
Pág.: 86

A série Redenção me encantou desde o primeiro volume, foi incrível conhecer Arthur e Maiana, Matheus e Sophia, e  Antônio e Cecília. Meu gosto literário mudou desde quando peguei o primeiro volume, mas continuo gostando da escrita da Nana, a história é incrível e tem um ritmo leve e viciante, com doses certas de romance e erotismo, no sentido geral não tenho do que reclamar, porque é uma obra excelente, meu único incomodo foi com algumas frases e linguagens utilizadas nas cenas mais picantes, pois ao longo de minhas leituras aprendi que há maneiras mais sensuais e delicadas de descrever esses momentos, senti falta desse toque.

Os personagens são incríveis, a vilã tem uma personalidade tradicional de novela das seis, é perfeita, educada e inocente na frente do mocinho, mas pelas costas está sempre armando alguma maldade sem que ele desconfie. A mocinha é a típica garota inocente que veio do interior, romântica e decidida, nos encanta pela simplicidade e inocência. Gostei bastante do jeito autoritário de Antônio, no requisito “bofe literário sexy” ele não deixa nada a desejar para os amigos.

Autora

Eu precisava dela. Não era querer ou escolher. Era necessidade. Era mais forte do que tudo que já senti e me golpeava por ser algo completamente novo, com o qual eu não sabia lidar. Tentei ainda me conter, mas a saudade já espiralava dentro de mim e subia por meu peito, ganhava um espaço cada vez maior, se tornava tão latente que era difícil até respirar.
Pág.: 149

É raro quando termino uma série e não fico me sentindo saudosa, com aquela sensação insuportável de que o autor poderia ter estendido um pouco mais, entretanto, após finalizar Redenção, me senti completamente satisfeita, o encerramento dessa trilogia foi incrível, o leitor além de receber uma conclusão perfeita para a história de Antônio e Cecilia ainda tem o bônus de saber o que aconteceu com eles e os amigos depois de vários anos e conhecer um pouco melhor seus filhos. Foi um encerramento totalmente satisfatório.

A capa segue o mesmo padrão dos volumes anteriores, um modelo representando Antônio na frente e Cecília atrás, há quem diga que não gosta de ver os personagens na capa porque limita muito a imaginação, mas isso não me incomoda. A diagramação segue o padrão da Coleção Violeta e é agradável aos olhos, amo as bordas cor de rosa chamativas. As páginas são de tom amarelado e a fonte é mediana. Leitura recomendada.

O Guia Para Ser Você Mesma - Lia Camargo & Melina Souza

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Dei uma sumida do blog, mas foi porque precisei de uns dias para colocar as coisas em ordem, depois de limpar muita poeira da minha estante e curtir bastante as últimas festas de 2016 (Adivinhem o que ganhei de Natal? Sim, livros!) estou de volta. Em minha primeira resenha do ano vou falar um pouco a respeito de um livro que nos inspira a desejar tentar coisas novas, então se é de novidades que o seu 2017 precisa, vem comigo se encantar pelo Guia Para Ser Você Mesma.




Inspirado nos best sellers O livro perigoso para garotos e O livro das garotas audaciosas, este guia traz tudo que uma moça moderna precisa saber. O que inspira e o que não sai de moda. Textos motivacionais sobre etiqueta nas redes sociais, bullying virtual e sororidade. Histórias de mulheres inspiradoras como Audrey Hepburn, Nise da Silveira, Jane Austen e Chimamanda Ngozi. Do it yourself, receitinhas e decoração. Lugares para viajar e sonhar, e como tirar as melhores fotos. Listas interativas com filmes, séries, músicas e livros!






O Guia Para Ser Você Mesma possui várias dicas de comportamento, moda, beleza e viagem, além de receitas fáceis, ideias inspiradoras e textos motivacionais capazes de nos fazer enxergar com outros olhos nossas condutas no dia a dia. Lia e Melina trabalham assuntos importantes como bullying, sororidade e etiquetas nas redes sociais. O livro também reúne informações sobre algumas das mulheres que são símbolo de feminilidade e lutam por direitos, divas em quem devemos nos inspirar.



Não acho que precisemos decorar regras sobre como agir na internet. Basicamente, basta aplicar a nossa boa educação da “vida off-line” no que fazemos virtualmente.
Pág.: 10

As autoras são duas blogueiras talentosas que decidiram criar um livro onde tudo o que elas amam fosse retratado, o resultado foi um conteúdo bem escrito que expressa um charme único. Entre os textos que mais gostei está o que fala sobre o corpo e transtornos alimentares, acho que toda mulher já se sentiu insegura com o próprio corpo, é importante aprender a se amar. Também adorei ler sobre algumas das mulheres que admiro e as dicas de viagem *_*.

O mais incrível dessa obra são as imagens, dá para perceber o carinho e o empenho quea Mel e Lia tiveram para criar algo tão bonito e harmonioso, os tons pastel e a mistura de fotos, desenhos e fundos florais dão um ar romântico e alegre às páginas, o que em conjunto com as fontes e a escrita torna impossível não se apaixonar pela estética desse exemplar.

Autoras

Aprendi que ter um corpo perfeito não é ser super magra, mas sim ter um corpo saudável e gostar dele.
Pág.:55


Apesar de possuir todos os elementos necessários para proporcionar uma leitura rápida (conteúdo leve, de fácil compreensão e linguagem simples), esse guia não é para ser lido em poucas horas, pois o mais interessante dele é a riqueza de dicas e informações, por isso é mais interessante fazer isso aos poucos, tentar executar o que aprendeu, pesquisar, reinventar e anotar nos espaços próprios o que achar relevante, acrescentando um pouco de si às páginas. Ele é perfeito para ficar na cabeceira da cama, pois além de ser um bom manual de consultas, também parece um lindo enfeite.

Pelas fotos que vi, pensei que o livro fosse capa dura com um elástico igual a uma agenda/guia, porém, ela é de um material um pouco menos rígido e o elástico é impresso, mas isso não afeta em nada sua beleza. As páginas são brancas em papel couché fosco, são ricamente ilustradas e a sensação de tocá-las é maravilhosa. A diagramação está impecável. Leitura recomendada.

30 e Poucos Anos e uma Máquina do Tempo - Mo Daviau

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Após ter iniciado o ano com um ótimo livro - Até o Fim do Mundo -, esperava que a minha próxima leitura também tomasse os mesmos rumos em termos de boas qualidades, até mesmo pelo fato de sua sinopse dar indícios dessa possibilidade. Entretanto, acredito que fui com muita sede ao pote e acabei me decepcionando com 30 e Poucos Anos e uma Máquina do Tempo, livro de estreia de Mo Daviau. 

Imagine poder viajar no tempo para assistir a qualquer grande show da história: os Beatles no Shea Stadium ou no telhado da Apple Records, o Nirvana em um bar minúsculo de Seattle ou Miles Davis no lendário clube Birdland. A norte-americana Mo Daviau transformou esse desejo em realidade no engenhoso 30 e poucos anos e uma máquina do tempo, uma espécie de cruzamento entre De volta para o futuro e Alta fidelidade protagonizado por Karl e Wayne, dois amigos de meia-idade que descobrem um meio de voltar no tempo para assistir a shows incríveis, e a ganhar dinheiro com o negócio. Tudo vai bem até que Wayne decide o óbvio: interferir no passado. Afinal, quem dispensaria a chance de reescrever uma ou outra linha da própria história? Movido a música e romance, 30 e poucos anos e uma máquina do tempo é uma espirituosa, e um tanto nostálgica, reflexão sobre sonhos, escolhas de vida e a passagem do tempo.
Ponto forte: Com a inteligência irreverente de um Nick Hornby, a sinceridade bem-humorada de um Gary Shteyngart e o charme de um filme de John Cusack, o título é uma leitura perfeita para um público saudoso da juventude perdida, repleto de referências musicais.


Nesta trama somos apresentados a uma dupla de amigos que se encontra em uma péssima fase de suas vidas. Karl, ex-músico e dono de um bar, encontra o buraco de minhoca por acidente enquanto procurava antigos coturnos comprados em 1991 em seu armário. Por um momento ele se viu sentado em um bar no passado, mas acaba retornando ao presente devido ao toque do seu celular. Intrigado com o ocorrido, ele confia a Wayne DeMint, um antigo amigo que frequentava seu bar e cientista da computação, a informação sobre a viagem no tempo, com isso, ele acaba programando um software que possibilitou a eles decidirem as coordenadas e as datas. Percebendo a arma que tinham em mãos, Karl adotou um sistema de regras onde o buraco só seria usado para visitar antigos shows de rock. Porém, não demorou muito para que tudo isso virasse um comércio e uma renda a mais para os dois. Tudo começa a dar errado quando Wayne passa a se comportar de forma estranha, pensando em sua vida e querendo mudar algo no passado: salvar John Lennon em 1980. 

Capa Estrangeira

Ei, aventureiro do tempo!

Quando o show terminar, VOCÊ TEM QUE VOLTAR PARA CASA!!!

INSTRUÇÕES
1. Abrir o aplicativo.
2. Selecionar RETURN.
3. A DATA, HORA e LOCALIZAÇÃO de seu retorno devem aparecer automaticamente (exemplo: 1/6/2012 19:30, data e hora atuais, esquina de Western com Milwaukee, CHICAGO, Illinois, EUA)*
4. Aperte o botão vermelho! ZUM! Você vai voltar rapidamente para casa!

*Não tente alterar suas coordenadas de retorno! Tentativas de alterar o programa resultarão em multa de US$1.000 e o banimento perpétuo.
Pág.: 15

A meu ver, o principal problema deste livro é a falta de uma maior exploração nos outros assuntos presentes no seu desenvolvimento. Entendo que a "música" tem um destaque na trama, mas a autora deixa isso TÃO EVIDENTE que chega a ser exaustivo para o leitor, pois a todo momento, literalmente, ela está retornando nesse ponto, o que deixou todo o contexto da viagem no tempo em segundo plano e sem a sua devida importância em certos trechos. Desta forma, a sensação que tive era de estar lendo biografias de bandas em um velório, uma vez que teve muitos momentos em que a história pedia uma maior seriedade e dramaticidade dos personagens, mas eles sempre acabavam conversando sobre shows e conjuntos musicais, mesmo tendo um amigo para salvar no ano de 980 e outros problemas a serem resolvidos.

Outro ponto falho é a inexistência de uma diversidade de dramas nos personagens, pois, o que percebi é que todos praticamente compartilham histórias de vida com características muito próximas, tendo como exemplo Karl e Wayne: duas pessoas que sofrem pelo seu passado conturbado, seja ele amoroso e/ou profissional, além de terem o dom da autodepreciação. Lena, uma astrofísica que ajudou Karl em seu problema, apresentou uma trajetória de vida interessante e uma personalidade marcada por momentos feministas, o que a deixou mais dura em relação aos homens. O mesmo ocorreu com Sahlil, dono do prédio em que o ex-músico mora, onde é possível notar sua ganância e as suas consequências. 

Apesar desses problemas, a leitura é conduzida em meio aos mistérios que vão surgindo, como um estranho e-mail que Karl recebeu contendo algumas informações sobre Lena e um misterioso Pós-A, além de possíveis consequências no presente de suas interações no passado e como irá ser feito o resgate de Wayne. A parte do buraco de minhoca e como se dá seu funcionamento foi bem explicada, possibilitando o entendimento até mesmo dos mais leigos no assunto. A melhor parte deste livro se encontra em suas últimas 100 páginas, pois são nelas que algumas reviravoltas acontecem e as coisas começam a azedar de fato. 

Autora
Então eu soube aonde Lena tinha ido. Ela estava de volta à noite sobre a qual nunca queria falar, e algo que eu disse uma vez para Wayne surgiu em minha cabeça: "Você quer ser um super-herói? Vista sua capa e voe."
Pág.: 236

A trama é narrada em primeira pessoa e sob o ponto de vista de Karl. Desta forma, não é tão difícil perceber o quanto ele é egoísta e um completo babaca depressivo que vive lamentando seu passado. A escrita da autora foi uma das escassas boas qualidades presentes no livro, pois sua estrutura contribuiu para a fluidez da leitura, mesmo ela tendo os problemas supracitados. Acredito que algumas pessoas irão gostar de 30 e Poucos Anos e uma Máquina do Tempo, até mesmo pelo contexto nostálgico, mas a meu ver a autora exagerou nesse sentido. 

A diagramação está com um ótimo espaçamento entre linhas e um agradável tamanho de fonte. Na edição temos páginas amareladas, títulos em alto relevo e uma bela capa um tanto quanto saudosa da época em que tínhamos que rebobinar as fitas cassete e com isso acabávamos usando objetos diferentes dos tradicionais, como uma caneta. A tradução foi feita por Edmundo Barreiros e não encontrei erros aparentes na revisão.

Último Turno - Stephen King

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Iniciada em Mr. Mercedes - resenha aqui, a trilogia Bill Hodges finalmente chegou ao seu encerramento com Último Turno, um livro que pode surpreender alguns e decepcionar outros. Nesta obra, Stephen King "abandona" o lado investigativo adotado nos dois volumes anteriores e retorna, de uma forma não tão interessante, para o sobrenatural. 



Brady Hartsfield, o diabólico Assassino do Mercedes, está há cinco anos em estado vegetativo em uma clínica de traumatismo cerebral. Segundo os médicos, qualquer coisa perto de uma recuperação completa é improvável. Mas sob o olhar fixo e a imobilidade, Brady está acordado, e possui agora poderes capazes de criar o caos sem que sequer precise deixar a cama de hospital. O detetive aposentado Bill Hodges agora trabalha em uma agência de investigação com Holly Gibney, a mulher que desferiu o golpe em Brady. Quando os dois são chamados a uma cena de suicídio que tem ligação com o Massacre do Mercedes, logo se veem envolvidos no que pode ser seu caso mais perigoso até então. Brady está de volta e, desta vez, não planeja se vingar apenas de seus inimigos, mas atingir toda uma cidade.





As primeiras páginas de Último Turno retornam ao crime inicial de Brady Hartsfield, o Mr. Mercedes, visto sob o ponto de vista dos socorristas Rob Martin e Jason Rapsis, que quase colidiram a ambulância com a Mercedes que vinha na contramão enquanto se deslocavam para o local. Quando chegaram no City Center, a cena não poderia ser outra: caos e sofrimento já haviam se apoderado do lugar, onde pessoas corriam e sofriam. Martine Stover, a vítima que mais se feriu, foi socorrida pelos dois e levada imediatamente para o hospital, onde ela iria receber a notícia de que havia se tornado tetraplégica. 

Passados alguns anos, já em 2016, Bill Hodges recebe uma ligação de Pete, seu antigo companheiro que irá se aposentar, que lhe informa sobre um caso, sua provável e estrondosa última investigação: um curioso assassinato seguido de suicídio. Supostamente a mãe de Martine Stover havia matado a filha e suicidado após o ato, porém, quando Bill e Holly, companheira da Agência Achados e Perdidos, chegam ao local do crime, notam que algumas coisas não estavam se encaixando e insistem que isso deveria ser investigado de forma profunda, até mesmo pelo fato de uma das vítimas estar ligado a Brady, que naquele momento estava no hospital vegetando em uma cama. 

Trilogia Bill Hodges

- Ele ainda não acabou com você.
Pág.: 103

Último Turno é um verdadeiro caso de amor e ódio. Não posso dizer que amei, mas também não posso afirmar que odiei, uma vez que reconheço as qualidades e os defeitos presentes na trama. A minha decepção em relação a este livro gira em torno da sua potencialidade que não foi bem explorada pelo autor, visto que seus elementos e a sua construção possibilitavam algo singular e aterrorizante, que é a sua marca conhecida. Entretanto, os assuntos trabalhados em segundo plano se mostraram interessantes, além de evidenciar a evolução da história e dos personagens, como é o caso do próprio Bill, onde percebe-se um maior foco nas consequências da sua idade avançada. Desta forma, não é difícil vê-lo refletir sobre as pessoas ao seu redor, o seu cansaço e suas queixas das dores de uma possível doença.

Como dito no inicio do texto, King faz um retorno ao lado sobrenatural, mas ainda continua trabalhando assuntos que fogem do surrealismo, assuntos mais humanos que já foram aplicados e explorados nos outros dois volumes, como as consequências da obsessão e a perversidade humana, além da influência da tecnologia, que aqui se fez mais que presente e se tornou elemento importante para a construção de toda a trama. Os mistérios sustentados giram em torno, sobretudo, da possível ligação de Brady com os crimes, mas como ele estaria fazendo isso era um grande enigma a ser decifrado por Bill e Holly. 

Acredito que o grande problema deste livro foram os rumos adotados pelo autor, que, após a finalização da leitura, mostraram-se de péssima escolha, além de desviar completamente do propósito inicial da trilogia que era o lado investigativo. A transição entre a investigação e o sobrenatural é mais que perceptível, uma vez que foi feita de forma bruta e apressada, incomodando até mesmo aqueles que já estavam aguardando o lado surreal/fantasioso. Por outro lado, no entanto, a construção da trama ajudou a amenizar um pouco esse sentimento, já que ela é feita de forma não-linear, como se todas as histórias fossem peças de um quebra-cabeça, e King foi capaz de uni-las de um jeito surpreendente. Em consequência, assim como nos outros volumes, temos diferentes pontos de vistas que fogem do tradicional Bill e Brady, além de ser narrado em terceira pessoa. 

Fim?

Brady observou a mulher com os olhos arregalados se movendo de um lado para outro, estudando a tela, e soube que tinha encontrado o que estava procurando. Os peixes rosa, ele pensou. São os que se movem mais rápido e, além do mais, vermelho é uma cor raivosa. O rosa é... o quê? Qual era a palavra? A palavra veio, e ele sorriu. Foi o sorriso radiante que o fazia parecer ter dezenove anos de novo.
Rosa era tranquilizador.
Pág.: 247

A sensação que tive ao ler o seu encerramento foi que não estou lendo um livro escrito por Stephen King. Não que ele tenha sido decepcionante, mas a sua construção e seus elementos não se caracterizavam algo típico do autor. A trilogia Bill Hodges tem suas qualidades e seus defeitos, assim como qualquer obra, mas o que percebi ao longo das leituras foi a falta de uma exploração maior nas suas potencialidades, além do já citado desvio tomado por S.K.. Entretanto, deixo a minha recomendação àqueles que já leram outros livros de King, mas não recomendo àqueles que estejam querendo experimentar essa escrita como pontapé inicial para ingressar no mundo literário do autor. 

A diagramação está simples, mas com um ótimo espaçamento entre linhas e um tamanho de fonte agradável. Na edição temos páginas amareladas e uma diferente ilustração na capa que, apesar de divergir das demais, mostrou-se intrigante e bela. Quanto a revisão, não encontrei erros aparentes. 

Até o Fim do Mundo - Tommy Wallach

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Imaginem receber a notícia de que a sua vida e a de outras pessoas estão ameaçadas e confinadas à morte devido a um asteroide em rota de colisão com a Terra. Esse não é um daqueles avisos que você espera receber um dia, no entanto, foi justamente isso que aconteceu no livro Até o Fim do Mundo, escrito pelo músico e escritor, Tommy Wallach. 


Antes do asteroide, eles eram definidos por rótulos: o atleta, a excluída, o vagabundo, a perfeitinha. Mas então tudo mudou. Agora eles têm dois meses para encontrar um significado. Dois meses para realmente viver.
Dizem que o colégio é a melhor época da vida. Peter, a estrela do time de basquete, está preocupado que essa afirmação possa ser verdadeira. Enquanto isso, Eliza não vê a hora de escapar de Seattle, e da reputação que a persegue; e a perfeita — ao menos no papel — Anita se pergunta se a admissão em uma das melhores universidades do país vale realmente o preço de abandonar seus sonhos. Andy, por sua vez, não entende todo o rebuliço em relação à faculdade e carreira — o futuro pode esperar.
Será? Porque parece que o futuro está prestes a se chocar com a Terra, vindo do espaço, com o potencial de acabar com a vida no planeta. Enquanto esses quatro estudantes do último ano aguardam — assim como o restante do mundo — para saber quais serão os estragos do asteroide, devem abandonar todos os pensamentos sobre o futuro e decidir como passar o que resta do presente. Neste livro esperto e envolvente, quatro adolescentes arriscam seus sonhos, seu coração e sua humanidade para ir em busca daquilo que realmente vale a pena.

Nesta trama iremos conhecer quatro adolescentes que viram suas vidas encurtadas diante de uma trágica notícia: um asteroide, Ardor (ARDR-1398) como foi chamado, tem 66,6% de chance de atingir a Terra e acabar com boa parte da vida como conhecemos. A partir deste momento, uma busca por seus verdadeiros Eu começa, assim como o caos nas cidades, como mortes, assaltos, incêndios criminosos, saques em comércios, abandonos e a busca da união de familiares durante esse curto intervalo de tempo. Porém, se não fosse esse acontecimento, eles provavelmente jamais iriam se tornar amigos, apesar de todos estudarem na mesma escola, a Hamilton, localizada em Seattle. Alguns valores irão ser colocados no chão e outro irão ser impostos na vida de todos, seja o amor, a amizade e até mesmo o ódio, fazendo muitos repensarem as suas ações e escolhas diante da morte. 

Viver a vida como se cada segundo fosse o último.

[...] Ele só tinha dezoito anos! Tantas coisas que não havia experimentado ainda - viajar pelo mundo, saltar de bungee jump, sushi. E que merda ele estava esperando? Por que ele tinha achado que o tempo era um recurso inesgotável? Agora a ampulheta tinha arrebentado, e o que ele sempre vira como um simples monte de areia tinha se transformado em um milhão de pequenos diamantes.
Pág.: 77

Até o Fim do Mundo foi uma daquelas leituras que te surpreende logo nas primeiras páginas, mas ao mesmo tempo é um daqueles livros que você mantém uma relação de amor e ódio. A trama em si carrega um grande potencial filosófico, uma vez que, em certos momentos, ela nos faz pensar acerca de algumas questões pertinentes do nosso cotidiano, como a vida, a morte, os valores individuais e coletivos, dentro outras coisas. Entretanto, muita dessa potencialidade que vi não foi totalmente aproveitada, já que em um certo momento a história acaba adentrando um plot um tanto quanto exaustivo e que não acrescenta em nada na experiência como leitor. Não que isso tenha sido um ponto negativo, pois entendo a devida necessidade do autor em mudar um pouco o tom naquele momento, assumindo assim o romance, que aqui se fez na figura do famigerado triângulo amoroso, o que pode ou não irritar algumas pessoas. 

Ao contrário do que algumas pessoas pensam, a ideia deste livro não é mostrar o caos em si, mas pontuar questões simples do dia-a-dia e que podem ou não serem intensificadas diante de uma tragédia. Desta forma, Tommy estrutura boa parte da sua história sob os pilares de pensamentos como: tentar fazer a diferença, você pode tomar suas próprias decisões, escolher seus caminhos e não deixar a vida escolher para você, dentre muitos outros que nos fazem pensar sobre nós mesmos. Apesar disso, ele ainda consegue mostrar para o leitor a dimensão do caos instalado nas cidades, focando mais em Seattle, cidade onde a trama se passa, expondo as situações políticas e de sobrevivência, como a racionalização de recursos alimentícios e de combustíveis, a implantação da Lei Marcial e algumas regras a serem seguidas pela população. 

Algo que chamou bastante a minha atenção foi o desenvolvimento dos personagens principais e alguns secundários, que foi feito de uma forma tão rica que ficou impossível não sentir seus dramas. Suas personalidades são extremamente contrastantes. Peter é um atleta que passa a refletir sobre seu futuro e suas escolhas. Eliza é uma fotógrafa excluída do meio social devido a um acontecimento envolvendo ela e Peter, o que, juntamente com a doença do pai, deixou-a mais dura e entorpecida. Andy, por outro lado, é uma daquelas pessoas que não ligam para o dinheiro, fazendo o que bem entende e sendo um pouco revoltado com a vida. Anita (a que mais gostei), cujo sonho era ser cantora e independente, vê seus sonhos sendo quebrados pelos seus autoritários pais, principalmente seu pai que a vê como mais um de seus investimentos, por isso ela segue a linha "certinha de ser" e tudo que ela fez até o momento foi para dar um retorno aos investimentos do pai. 

Autor

- Às vezes eu esqueço que a morte já existia antes do Ardor - Anita comentou.
Pág.: 228

A narrativa do livro é feita em terceira pessoa, apresentando o ponto de vista dos quatros personagens principais. O que me incomodou neste sistema de intercalação foi que muito dos trechos que vimos em um personagem se repetia na perspectiva de outro, não mudando nem o ponto final e vírgulas, o que a meu ver poderia ter sido compactado em pequenas referências. Até o Fim do Mundo foi uma interessante leitura que me fez pensar muito sobre nossas escolhas, o que não é tão comum em livros desse gênero. Apesar dos problemas citados, não posso negar o excelente trabalho que Tommy Wallach produziu, até mesmo por ser seu primeiro livro publicado. Algumas das músicas citadas durante a trama fazem parte do CD We All Looked Up: The Album, produzido por ele mesmo e as músicas vocês podem encontrar tanto em seu site oficial para comprar, quanto no Spotify. Já escutei e adorei! 

A diagramação está com um ótimo espaçamento entre linhas e um agradável tamanho de fonte. Na edição contamos com páginas amareladas e uma capa mostrando um grupo de pessoas observando o Ardor. Quanto a revisão, encontrei alguns erros, mas nada que interfira na sua leitura. 

Chapeuzinho Esfarrapado E Outros Contos Feministas do Folclore Mundial - Ethel Johnston Phelps

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Já pararam para pensar na imensidão de histórias que existiam, mas que infelizmente foram perdidas com o decorrer dos séculos por não haver coletores suficiente para registrá-las em obras? Chapeuzinho Esfarrapado e Outros Contos Feministas reúne contos de várias culturas, e retrata mulheres fortes e inspiradoras.




Quem disse que as mulheres nos contos de fadas são sempre donzelas indefesas, esperando para ser salvas pelo príncipe encantado? Esta coletânea reúne narrativas folclóricas do mundo inteiro — do Peru à África do Sul, da Escócia ao Japão — em que as mulheres são as heroínas das histórias e vencem os desafios com esforço, coragem e muita inteligência. Este livro é para todo mundo que não se identifica com as princesas típicas dos contos de fadas. É para garotas e garotos, para que todos possam aprender que as maiores virtudes de um herói não são exclusivas a um só gênero. Enriquecida com textos de apoio e ilustrações modernas, esta edição é uma fonte inestimável de heroínas multiculturais — e indispensável para qualquer estante.





As protagonistas desse livro não são do tipo que esperam o príncipe encantado aparecer para salvá-las, se desejam algo, mostram que são capazes de conseguir sozinhas. O principal objetivo dessas histórias é ir em contrapartida aos contos que mostram princesas submissas, pois a mensagem de empoderamento feminino é clara, as mocinhas desse livro são tão fortes e competentes quanto os homens. São 25 fábulas recheadas de aventuras e lições importantes. Adorei a Chapeuzinho Esfarrapado, que é uma princesa que não se preocupa com aparência; Unana, uma mãe dedicada em busca dos filhos que foram sequestrados e a senhora otimista de O kow de Hedley.

Chapeuzinho Vermelho

- Você podia tirar esse capuz esfarrapado e limpar a fuligem do rosto – insistiu, irritada, pois queria que sua amada irmã estivesse bonita.
- Não – respondeu Chapeuzinho. – Vou assim, como estou.
Pág.: 33

É importante ler histórias onde as mulheres são vistas como valentes e ativas, mas algumas me deixaram incomodada por abordarem ideias que se desviam muito daquilo em que acredito. Em A Lagarta Gigante, os homens se acovardam ao ver o tamanho da lagarta que engoliu um menino, as mulheres, para mostrar que não sentem medo, matam a criatura e resgatam o jovem. Essa história poderia ser melhor se eles se unissem no salvamento ao invés de ocorrer essa inferiorização da imagem masculina. Kate Quebra-Nozes é outro exemplo, há uma inversão de papeis, existe um príncipe enfeitiçado e uma jovem quebra o encanto (Alô, Branca de Neve!), além disso, frases como: "Os homens tiveram que ficar onde estavam - abaixo das mulheres." acabavam com um contexto interessante.

As personagens são fortes, decididas e defendem o que acham certo. Algumas me cativaram mais do que outras, mas todas demonstram ter muita coragem. Os nomes, cenários e estilo das narrativas variam de acordo com a região onde se originaram, Paquistão, Escócia, Cornualha e Equador são apenas alguns dos diversos locais de onde foram extraídas. Esse passeio por diversas culturas nos mostra um pouco das crenças e justificativas que alguns povos utilizam para explicar certos fatos.

Kate Quebra-Nozes

Agora que as mulheres tinham ido embora, os maridos as queriam de volta. Sentiam-se sozinhos e tristes, então se juntaram para pensar no que fazer.
Decidiram usar suas próprias cordas de pena de águia para ir ao céu atrás das esposas.
Pág.: 52

Tenho certeza de que Chapeuzinho Esfarrapado e Outros Contos Feministas do Folclore Mundial  é capaz de agradar a todos os públicos, independentemente da idade, sexo ou princípios, isso ocorre porque apesar de ser um livro focado em demonstrar a força feminina, ele contém um enredo leve e divertido. Como já disse, algumas histórias não passam uma mensagem muito interessante para a atualidade, mas a maior parte data do final do Séc. XIX e início do Séc. XX, (ou seja, foram criadas durante a primeira onda feminista, onde a nossa força estava começando a ser vista). Considerei esses aspectos como marcos históricos da sociedade na época, segui em frente com a leitura e não me arrependi, dá para extrair muita lição bacana.

A capa é simplesmente maravilhosa, estou apaixonada pelo tom de azul, a combinação de cores e arte presentes deram a ela um charme especial. A diagramação é simples, mas bem elaborada, existem algumas ilustrações belíssimas que dão mais vida às cenas lidas. As páginas são brancas e a fonte é mediana. Leitura parcialmente recomendada.

No Limite da Loucura - Maureen Johnson

Saudações, caros leitores, como vocês estão?
O Nome da Estrela foi um livro que tinha tudo para dar certo, mas acabou me decepcionando devido a alguns detalhes já mencionados em sua resenha. O que realmente me deu forças para ler sua "continuação", intitulada de No Limite da Loucura, foi a escrita fluida, rica e provocativa de Maureen Johnson. 




Uma das autoras mais queridas do público jovem na Inglaterra e nos EUA, e celebridade no Twitter, Maureen Johnson deixa sua protagonista Rory Devereaux No limite da loucura na eletrizante sequência de O nome da estrela. Depois de se envolver no misterioso caso do assassino em série que se fazia passar pelo lendário Jack, o Estripador, espalhando o medo pela capital britânica, a garota é enviada para a casa dos pais em Bristol. Mas ela não pensa duas vezes quando tem uma chance de retornar a Wexford e reencontrar os amigos. Sua volta a Londres, no entanto, revela mais sobre seus próprios poderes do que ela poderia supor e a põe no centro de uma nova – e sinistra – onda de crimes que vêm desafiando até mesmo a polícia secreta que combate os fantasmas na cidade. No segundo livro da trilogia Sombras de Londres, Rory Devereaux precisa enfrentar seus próprios medos e agir antes que seja tarde.




Nesta trama vemos Aurora Deveaux, ou Rory, regressando para Bristol, onde passa a frequentar sessões de terapias como uma forma de esquecer o que aconteceu no primeiro volume e assim poder seguir com sua vida normalmente, apagando seus conhecimentos sobre as Sombras, a polícia secreta que caça os fantasmas de Londres. Logo após sua saída, Charlie, dono de um pub próximo a Wexford, foi morto a marteladas por Sam (supostamente) funcionário do local. O que deixou tudo mais estranho e misterioso foi que mesmo após ele ter assumido o crime, outros começaram a ocorrer na região, deixando algumas pontas soltas e um problema no ar: quem estaria provocando esses atos?

Após algum tempo em Bristol e idas às sessões de terapia, Julia, sua psicóloga, chega à conclusão que Rory já pode retornar às aulas em Wexford com o pretexto de que isso irá lhe ajudar na recuperação. Contudo, seu andamento escolar estava mais que atrasado e ameaçado, forçando-a a se esforçar mais um pouco em meio as decisões de sua vida e a esse novo mistério que percorre as ruas de Londres. 

O que você faria se estivesse próximo da loucura?

- ... cada um de nós tem um primeiro contato com a morte de forma diferente. Quero que você tente se lembrar... Como foi para você?
Tive que me conter. Se sua psicóloga pergunta como foi seu primeiro contato com a morte, é meio esquisito você praticamente saltar da poltrona de empolgação porque essa é de longe sua história preferida de todos os tempos. Acontece que minha história de "primeiro contato com a morte" é muito boa.
Pág.: 16/17

No Limite da Loucura tem os mesmos problemas de seu antecessor, principalmente no que se refere ao seu desenvolvimento, feito de forma lenta e sem grandes elementos que fixam a atenção do leitor, o que pode acarretar em desistências. O grande problema deste livro é a falta de um balanceamento entre as tramas, o que culminou em um descompasso que é sentido pelo leitor logo nas primeiras páginas. O que quero dizer é que a autora nos apresenta o plot do assassinato na introdução, passa mais da metade da obra mostrando os dramas de Rory diante de todos os acontecimentos do último volume, o que poderia ter sido resumido, e retoma a história do crime quase no final.

Rory apresenta quase a mesma personalidade do primeiro volume, sem demonstrar quase nenhuma evolução. O que percebi nela foi que há mais humor e ironia em seus diálogos e pensamentos, principalmente durante as sessões de terapia. Os desenvolvimentos dos personagens secundários foram praticamente ignorados, sufocados pela dedicação da autora em mostrar os dramas de Aurora. O que mais aparece na história é Stephen, com seu aspecto um pouco reservado e misterioso que pode não agradar a todos. O livro é narrado em primeira pessoa através de uma escrita rica em detalhes capaz de provocar a imaginação do leitor durante a leitura. 

Maureen Johnson, autora.

Toda a atenção estava sobre mim, e era possível que a conversa ficasse empacada se eu não saísse do lugar logo e obedecesse. Lembrei a mim mesma de que eu não era uma policial treinada, nem uma profissional de saúde mental nem nada parecido. Era uma estudante de ensino médio, uma estrangeira, e tinha me metido naquilo tudo por puro acaso, portanto, não era minha obrigação ser forte e corajosa. Por outro lado, eu é que tinha exigido estar ali.
Pág.: 160

O encerramento do livro foi um pouco previsível e deixou algumas pontas soltas, sem necessidade, para o terceiro volume. No Limite da Loucura foi uma grande decepção e infinitamente inferior ao seu antecessor. A impressão que tive é que a autora tomou outros rumos e ficou perdida nesse caminho, sem ter para onde ir e dando inúmeras voltas. Não recomendo àqueles que esperam demais desta trama. 

A diagramação segue a mesma do primeiro volume, com um ótimo espaçamento entre linhas e um agradável tamanho de fonte. Na edição contamos com páginas amareladas, títulos em alto relevo e uma capa misteriosa. A tradução foi feita por Sheila Louzada e não encontrei erros aparentes na revisão.

Filha das Trevas - Kelly Keaton

Hey pessoal, tudo bem?

Filha das Trevas, primeiro livro da série Deuses & Monstros, foi um livro complicado de formar uma opinião sobre. Por um lado temos uma escrita muito bem elaborada e um desenvolvimento de personagem de fazer inveja a muitos autores. Por outro, contamos com uma personagem adolescente que não está satisfeita com a vida que leva - o que por si só já é suficiente para quase me fazer abandonar um livro -, e um dos maiores clichês de livros do gênero: desvendar os mistérios do seu passado. 





Ari se sente perdida e solitária. Com olhos azul-esverdeados e cabelos prateados esquisitos, que não podem ser modificados nem destruídos, sempre chamou a atenção por onde passava. Depois de crescer em casas adotivas, tudo o que quer é descobrir de onde veio e quem ela é. Em sua busca por respostas, encontra uma mensagem escrita pela mãe morta há muito tempo: fuja. A garota percebe que precisa voltar para o local de seu nascimento, Nova 2 — a cidade luxuosa, que foi inteiramente remodelada —, em Nova Orleans. Lá, ela é aparentemente normal. Mas cada criatura que encontra, por mais mortal ou horrível que seja, sente medo dela. Ari não vai parar até desvendar os mistérios de sua existência. No entanto, algumas verdades são terríveis e assustadoras demais para serem reveladas.




Ari é uma adolescente que passou grande parte da vida em orfanatos e mudando de casas, até que finalmente é adotada por um casal que a ama e protege. Contudo, ela não está satisfeita, o que não é novidade nenhuma em se tratando de um livro YA com uma protagonista de 17 anos. Como se esse clichê já não bastasse, ela ainda possui essa urgência em descobrir os segredos do seu passado e os motivos que levaram sua mãe a lhe abandonar, o que dá inicio a uma série de eventos instigantes, mas confusos e que deixam aquela sensação de "já li isso em algum outro lugar".

Ari

Eu não sou louca. Confie em mim. 
Pág.: 17

Um aspecto que me cativou muito na obra, foi a forma como a autora conseguiu mesclar mitologia com elementos sobrenaturais, como shapeshifters (transmorfos ou troca-formas, dependendo de algumas lendas). Quando vi comentários que ela fez isso na obra, confesso que fiquei com um pé atrás, pois normalmente são dois elementos que não dão muito certo juntos. Contudo, confesso que gostei da forma que ela o fez e foi uma surpresa muito agradável ver que, mesmo com todos os clichês presentes, a autora ainda conseguiu ser original em alguns aspectos. 

Entretanto, mesmo tendo gostado do que fora acima mencionado, devo salientar que frequentemente pensei em desistir da leitura. Ari é uma adolescente que é teimosa e está disposta a fazer de tudo para obter respostas, mesmo que para isso ela tenha que ignorar os avisos de todos ao seu redor. Como exemplo, temos o fato de que ela prometeu não ir a Nova 2 sem seus pais adotivos, e ainda assim ela vai, afinal, o que poderia dar errado? (¬.¬).

Mostre sua verdadeira face.

O sangue congelou nas minhas veias.
Na minha mente, não havia dúvidas sobre quem era essa nova presença no salão. Quem mais poderia ser?
Pág.: 204

O final foi um tanto quanto surpreendente, pois ao longo da história criei várias teorias sobre o passado e origem da protagonista, e pouquíssimas delas estavam corretas, o que foi uma surpresa. Infelizmente não posso dar muitos detalhes, mas quem ama mitologia grega vai adorar o final da obra. 

A edição está simples, mas muito bem feita. A capa é em tons de roxo e amarelo e possui Ari usando uma máscara no estilo "Baile de Gala Vitoriano". A diagramação está agradável aos olhos, sem ilustrações, mas com um espaçamento entre linhas que facilita a leitura. Não encontrei erros de revisão ou tradução aparentes. Recomendo para quem gosta do gênero, mas já aviso que as chances de você desistir não são pequenas. 

Sorteio: O Código Da Vinci - Dan Brown (Edição Especial)


Hey pessoal, tudo bem?

Quer levar para casa um exemplar da Edição Especial desse livro maravilhoso? Para concorrer é simples, basta preencher a primeira entrada, que é LIVRE, e você já está participando. Contudo, caso queira mais chances de ganhar, assim que a referida entrada for preenchida, as EXTRAS serão liberadas e algumas delas podem ser usadas todo dia, ou seja, muito mais chances para você!

A opção "tweet about the giveaway/ tweetar sobre o sorteio" é renovada a cada 24 horas, assim, todo dia que você tweetar a frase e preencher essa entrada, seu nome será adicionado mais vezes.

Qualquer dúvida quanto ao uso do formulário basta entrar em contato pelos comentários ou pela aba de "Contato" no menu do blog.

OBS: O formulário do Rafflecopter sofreu alterações nas entradas EXTRAS para curtir a página no Facebook. Para que tal entrada seja validada, é necessário CURTIR a página, e não só visitá-la como manda o formulário.


a Rafflecopter giveaway

Parabéns, Wuy! O e-mail já foi enviado.

Importante

  1. O ganhador deverá responder ao e-mail que mandarmos em até 48 horas. Caso não o faça um novo sorteio será realizado.
  2. O livro será ENVIADO em até 30 dias úteis pela editora.
  3. O blog não se responsabiliza por danos ou extravios causados pelos Correios.
  4. Caso o ganhador forneça o endereço errado e o pacote retorne, o mesmo perderá o direito ao prêmio.
  5. O ganhador deve ser residente e domiciliado em território nacional.
  6. O ganhador que descumprir alguma das regras será desclassificado.

"Que a sorte esteja sempre a seu favor!!"

O Código Da Vinci - Dan Brown

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

O Código Da Vinci mal havia chegado ao mundo em 2003 e já estava causando polêmica no âmbito religioso devido, exclusivamente, ao seu conteúdo, que segundo eles seria uma afronta aos ensinamentos e à vida de Jesus Cristo na Terra. Como já era de se esperar, o livro foi um sucesso de vendas e acabou recebendo, em meio às críticas positivas, avaliações contundentes de religiosos. 


Um assassinato dentro do Museu do Louvre traz à tona uma sinistra conspiração para revelar um segredo protegido por uma sociedade secreta desde os tempos de Jesus Cristo.
Com a ajuda da criptógrafa Sophie Neveu, o professor de Simbologia Robert Langdon segue pistas ocultas nas obras de Leonardo Da Vinci e se debruça sobre alguns dos maiores mistérios da cultura ocidental – do sorriso da Mona Lisa ao significado do Santo Graal.
Mesclando os ingredientes de um envolvente suspense com informações sobre obras de arte, documentos e rituais secretos, O Código Da Vinci consagrou Dan Brown como um dos autores mais brilhantes da atualidade e agora chega em nova versão, especialmente preparada para o público jovem, com fotos coloridas que enriquecem ainda mais o livro.




O que parecia ser uma habitual noite para Robert Langdon, professor de Simbologia Religiosa da Universidade de Harvard, acabou se tornando uma grande aventura para desenredar a maior conspiração do mundo. Após o curador do museu do Louvre, Jacques Saunière, ter sido encontrado morto na Grande Galeria, Langdon foi chamado devido às simbologias encontradas em seu corpo e à sua estranha posição que reproduzia a do Homem Vitruviano. O que ele não esperava era que um último trecho de uma das pistas deixadas por Saunière o tornaria o suspeito número um aos olhos da polícia francesa, principalmente do delegado Bezu Fache, simpatizante da Opus Dei, uma organização que vem há séculos tentando pôr as mãos na Pedra-Chave, que revelaria parte do segredo, para destruí-la. 

Com a ajuda de Sophie Neveu, uma criptógrafa da DPJF (Departamento de Polícia Judiciária Francesa) e neta de Saunière, Langdon consegue sair do Museu do Louvre, dando início a uma grande investigação que os conduzirão ao maior segredo já guardado e que pode abalar os pilares da igreja como a conhecemos. 

A Última Ceia
Uma pintura. Vários símbolos.
SO DARK THE CON OF MAN
Tão sombria a traição dos homens
Pág.: 84

Aos que não sabem, O Código Da Vinci é o segundo livro que traz o professor Robert Langdon como protagonista, sendo sua primeira aparição em Anjos e Demônios (2000), outra obra do autor que causou polêmica em seu lançamento. Não vou negar que mantenho certo fascínio pelas obras de Dan Brown, já que suas narrativas conseguem causar discussões que afetam diversas áreas que possuem instrumentos correlacionados com a religião, como a cultura, a arquitetura das igrejas e a arte em si, carregada de interpretações e de símbolos e seus significados, que podem ter sido alterados de acordo com a necessidade humana de um determinado período. 

Por misturar ficção com a realidade, o que já podemos considerar como uma das mais visíveis características do autor, o livro conta com inúmeras descrições de obras de artes, elementos da arquitetura e, principalmente, fatos históricos. Devido a isso, há muitas explicações que auxiliam os leitores mais leigos nos assuntos ali expostos, o que é bom por um lado, mas por outro pode acabar entediando aqueles que já detêm maiores conhecimentos, levando-os a crerem que o autor está apenas enrolando na narrativa. A obra é narrada em terceira pessoa e apresenta tanto o ponto de vista daqueles que protegem o segredo e daqueles que desejam destruí-lo.

Dan Brown é conhecido por sua escrita simples, mas que consegue reproduzir sensações e emoções nos leitores devido às suas boas descrições de cenas de ação e, sobretudo, mistérios. Em consequência, é difícil não se apegar à sua narrativa carregada de enigmas. O interessante é a forma como nós mesmo paramos um pouco a leitura com o intuito de tentar decifrar os problemas antes dos personagens, que por sinal apresentam personalidades singulares, como é o caso do albino Silas, fiel seguidor da Opus Dei, ou o Bispo Manuel Aringarosa. Impossível não sentir um pequeno ódio por eles.  A trama em si gira em torno de uma sociedade secreta, o Priorado de Sião, que tinha como membros renomados cientistas, pesquisadores e artistas, como Leonardo da Vinci, Victor Hugo, Sir Issac Newton, dentre outros que seriam responsáveis por guardar e transferir o grande segredo a cada geração afim de mantê-lo "vivo". 

O Código Da Vinci recebeu em 2006 uma adaptação cinematográfica com Tom Hanks encarnando Robert Langdon. Depois de ler esta obra, revi o filme e pude tirar algumas conclusões: (1) o filme tenta mostrar a todo momento que o professor é mais inteligente que Sophie Neveu; (2) que aparece quase que somente uma mera ajudante feminina, o que é bem diferente do que vemos no livro, onde ela demonstra maior inteligência e rapidez para decifrar os enigmas e anagramas presentes ao longo da trama; e (3) há algumas diferenças de locais, situações e caracterização de alguns personagens. Entretanto, o filme consegue expressar a essência do livro e pude perceber que alguns diálogos foram mantidos. 

Capela Rosslyn
Capela Rosslyn e sua arquitetura gótica.
IN LONDON LIES A KNIGHT A POPE INTERRED.
Cavaleiro em Londres um Papa enterrou.
Pág.: 207

O final do livro pode ser um pouco previsível para quem nunca o leu, visto que há algumas dicas ao longo da trama que podem levar o leitor a conclusão, mas isso não retira a emoção das reviravoltas e revelações. Por mais que seja uma ficção, O Código Da Vinci foi uma excelente leitura e uma visita a arte e arquitetura renascentista e gótica, apesar de alguns críticos evidenciarem suas insatisfações sobre Dan Brown ignorar alguns elementos destas duas áreas que se correlacionam. 

Esta é uma edição especial para jovens, portanto, há algumas ilustrações e fotos no meio do livro que podem ser consultadas ao longo da leitura, até mesmo para apreciar ou se situar. Além disso, contamos com páginas amareladas e uma bela ilustração na capa que brinca com o anagrama da Pedra-Chave. Sobre a diagramação, há um ótimo espaçamento entre linhas e um agradável tamanho de fonte. Não encontrei erros aparentes na revisão.