Último Turno - Stephen King

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Iniciada em Mr. Mercedes - resenha aqui, a trilogia Bill Hodges finalmente chegou ao seu encerramento com Último Turno, um livro que pode surpreender alguns e decepcionar outros. Nesta obra, Stephen King "abandona" o lado investigativo adotado nos dois volumes anteriores e retorna, de uma forma não tão interessante, para o sobrenatural. 



Brady Hartsfield, o diabólico Assassino do Mercedes, está há cinco anos em estado vegetativo em uma clínica de traumatismo cerebral. Segundo os médicos, qualquer coisa perto de uma recuperação completa é improvável. Mas sob o olhar fixo e a imobilidade, Brady está acordado, e possui agora poderes capazes de criar o caos sem que sequer precise deixar a cama de hospital. O detetive aposentado Bill Hodges agora trabalha em uma agência de investigação com Holly Gibney, a mulher que desferiu o golpe em Brady. Quando os dois são chamados a uma cena de suicídio que tem ligação com o Massacre do Mercedes, logo se veem envolvidos no que pode ser seu caso mais perigoso até então. Brady está de volta e, desta vez, não planeja se vingar apenas de seus inimigos, mas atingir toda uma cidade.





As primeiras páginas de Último Turno retornam ao crime inicial de Brady Hartsfield, o Mr. Mercedes, visto sob o ponto de vista dos socorristas Rob Martin e Jason Rapsis, que quase colidiram a ambulância com a Mercedes que vinha na contramão enquanto se deslocavam para o local. Quando chegaram no City Center, a cena não poderia ser outra: caos e sofrimento já haviam se apoderado do lugar, onde pessoas corriam e sofriam. Martine Stover, a vítima que mais se feriu, foi socorrida pelos dois e levada imediatamente para o hospital, onde ela iria receber a notícia de que havia se tornado tetraplégica. 

Passados alguns anos, já em 2016, Bill Hodges recebe uma ligação de Pete, seu antigo companheiro que irá se aposentar, que lhe informa sobre um caso, sua provável e estrondosa última investigação: um curioso assassinato seguido de suicídio. Supostamente a mãe de Martine Stover havia matado a filha e suicidado após o ato, porém, quando Bill e Holly, companheira da Agência Achados e Perdidos, chegam ao local do crime, notam que algumas coisas não estavam se encaixando e insistem que isso deveria ser investigado de forma profunda, até mesmo pelo fato de uma das vítimas estar ligado a Brady, que naquele momento estava no hospital vegetando em uma cama. 

Trilogia Bill Hodges

- Ele ainda não acabou com você.
Pág.: 103

Último Turno é um verdadeiro caso de amor e ódio. Não posso dizer que amei, mas também não posso afirmar que odiei, uma vez que reconheço as qualidades e os defeitos presentes na trama. A minha decepção em relação a este livro gira em torno da sua potencialidade que não foi bem explorada pelo autor, visto que seus elementos e a sua construção possibilitavam algo singular e aterrorizante, que é a sua marca conhecida. Entretanto, os assuntos trabalhados em segundo plano se mostraram interessantes, além de evidenciar a evolução da história e dos personagens, como é o caso do próprio Bill, onde percebe-se um maior foco nas consequências da sua idade avançada. Desta forma, não é difícil vê-lo refletir sobre as pessoas ao seu redor, o seu cansaço e suas queixas das dores de uma possível doença.

Como dito no inicio do texto, King faz um retorno ao lado sobrenatural, mas ainda continua trabalhando assuntos que fogem do surrealismo, assuntos mais humanos que já foram aplicados e explorados nos outros dois volumes, como as consequências da obsessão e a perversidade humana, além da influência da tecnologia, que aqui se fez mais que presente e se tornou elemento importante para a construção de toda a trama. Os mistérios sustentados giram em torno, sobretudo, da possível ligação de Brady com os crimes, mas como ele estaria fazendo isso era um grande enigma a ser decifrado por Bill e Holly. 

Acredito que o grande problema deste livro foram os rumos adotados pelo autor, que, após a finalização da leitura, mostraram-se de péssima escolha, além de desviar completamente do propósito inicial da trilogia que era o lado investigativo. A transição entre a investigação e o sobrenatural é mais que perceptível, uma vez que foi feita de forma bruta e apressada, incomodando até mesmo aqueles que já estavam aguardando o lado surreal/fantasioso. Por outro lado, no entanto, a construção da trama ajudou a amenizar um pouco esse sentimento, já que ela é feita de forma não-linear, como se todas as histórias fossem peças de um quebra-cabeça, e King foi capaz de uni-las de um jeito surpreendente. Em consequência, assim como nos outros volumes, temos diferentes pontos de vistas que fogem do tradicional Bill e Brady, além de ser narrado em terceira pessoa. 

Fim?

Brady observou a mulher com os olhos arregalados se movendo de um lado para outro, estudando a tela, e soube que tinha encontrado o que estava procurando. Os peixes rosa, ele pensou. São os que se movem mais rápido e, além do mais, vermelho é uma cor raivosa. O rosa é... o quê? Qual era a palavra? A palavra veio, e ele sorriu. Foi o sorriso radiante que o fazia parecer ter dezenove anos de novo.
Rosa era tranquilizador.
Pág.: 247

A sensação que tive ao ler o seu encerramento foi que não estou lendo um livro escrito por Stephen King. Não que ele tenha sido decepcionante, mas a sua construção e seus elementos não se caracterizavam algo típico do autor. A trilogia Bill Hodges tem suas qualidades e seus defeitos, assim como qualquer obra, mas o que percebi ao longo das leituras foi a falta de uma exploração maior nas suas potencialidades, além do já citado desvio tomado por S.K.. Entretanto, deixo a minha recomendação àqueles que já leram outros livros de King, mas não recomendo àqueles que estejam querendo experimentar essa escrita como pontapé inicial para ingressar no mundo literário do autor. 

A diagramação está simples, mas com um ótimo espaçamento entre linhas e um tamanho de fonte agradável. Na edição temos páginas amareladas e uma diferente ilustração na capa que, apesar de divergir das demais, mostrou-se intrigante e bela. Quanto a revisão, não encontrei erros aparentes. 

Até o Fim do Mundo - Tommy Wallach

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Imaginem receber a notícia de que a sua vida e a de outras pessoas estão ameaçadas e confinadas à morte devido a um asteroide em rota de colisão com a Terra. Esse não é um daqueles avisos que você espera receber um dia, no entanto, foi justamente isso que aconteceu no livro Até o Fim do Mundo, escrito pelo músico e escritor, Tommy Wallach. 


Antes do asteroide, eles eram definidos por rótulos: o atleta, a excluída, o vagabundo, a perfeitinha. Mas então tudo mudou. Agora eles têm dois meses para encontrar um significado. Dois meses para realmente viver.
Dizem que o colégio é a melhor época da vida. Peter, a estrela do time de basquete, está preocupado que essa afirmação possa ser verdadeira. Enquanto isso, Eliza não vê a hora de escapar de Seattle, e da reputação que a persegue; e a perfeita — ao menos no papel — Anita se pergunta se a admissão em uma das melhores universidades do país vale realmente o preço de abandonar seus sonhos. Andy, por sua vez, não entende todo o rebuliço em relação à faculdade e carreira — o futuro pode esperar.
Será? Porque parece que o futuro está prestes a se chocar com a Terra, vindo do espaço, com o potencial de acabar com a vida no planeta. Enquanto esses quatro estudantes do último ano aguardam — assim como o restante do mundo — para saber quais serão os estragos do asteroide, devem abandonar todos os pensamentos sobre o futuro e decidir como passar o que resta do presente. Neste livro esperto e envolvente, quatro adolescentes arriscam seus sonhos, seu coração e sua humanidade para ir em busca daquilo que realmente vale a pena.

Nesta trama iremos conhecer quatro adolescentes que viram suas vidas encurtadas diante de uma trágica notícia: um asteroide, Ardor (ARDR-1398) como foi chamado, tem 66,6% de chance de atingir a Terra e acabar com boa parte da vida como conhecemos. A partir deste momento, uma busca por seus verdadeiros Eu começa, assim como o caos nas cidades, como mortes, assaltos, incêndios criminosos, saques em comércios, abandonos e a busca da união de familiares durante esse curto intervalo de tempo. Porém, se não fosse esse acontecimento, eles provavelmente jamais iriam se tornar amigos, apesar de todos estudarem na mesma escola, a Hamilton, localizada em Seattle. Alguns valores irão ser colocados no chão e outro irão ser impostos na vida de todos, seja o amor, a amizade e até mesmo o ódio, fazendo muitos repensarem as suas ações e escolhas diante da morte. 

Viver a vida como se cada segundo fosse o último.

[...] Ele só tinha dezoito anos! Tantas coisas que não havia experimentado ainda - viajar pelo mundo, saltar de bungee jump, sushi. E que merda ele estava esperando? Por que ele tinha achado que o tempo era um recurso inesgotável? Agora a ampulheta tinha arrebentado, e o que ele sempre vira como um simples monte de areia tinha se transformado em um milhão de pequenos diamantes.
Pág.: 77

Até o Fim do Mundo foi uma daquelas leituras que te surpreende logo nas primeiras páginas, mas ao mesmo tempo é um daqueles livros que você mantém uma relação de amor e ódio. A trama em si carrega um grande potencial filosófico, uma vez que, em certos momentos, ela nos faz pensar acerca de algumas questões pertinentes do nosso cotidiano, como a vida, a morte, os valores individuais e coletivos, dentro outras coisas. Entretanto, muita dessa potencialidade que vi não foi totalmente aproveitada, já que em um certo momento a história acaba adentrando um plot um tanto quanto exaustivo e que não acrescenta em nada na experiência como leitor. Não que isso tenha sido um ponto negativo, pois entendo a devida necessidade do autor em mudar um pouco o tom naquele momento, assumindo assim o romance, que aqui se fez na figura do famigerado triângulo amoroso, o que pode ou não irritar algumas pessoas. 

Ao contrário do que algumas pessoas pensam, a ideia deste livro não é mostrar o caos em si, mas pontuar questões simples do dia-a-dia e que podem ou não serem intensificadas diante de uma tragédia. Desta forma, Tommy estrutura boa parte da sua história sob os pilares de pensamentos como: tentar fazer a diferença, você pode tomar suas próprias decisões, escolher seus caminhos e não deixar a vida escolher para você, dentre muitos outros que nos fazem pensar sobre nós mesmos. Apesar disso, ele ainda consegue mostrar para o leitor a dimensão do caos instalado nas cidades, focando mais em Seattle, cidade onde a trama se passa, expondo as situações políticas e de sobrevivência, como a racionalização de recursos alimentícios e de combustíveis, a implantação da Lei Marcial e algumas regras a serem seguidas pela população. 

Algo que chamou bastante a minha atenção foi o desenvolvimento dos personagens principais e alguns secundários, que foi feito de uma forma tão rica que ficou impossível não sentir seus dramas. Suas personalidades são extremamente contrastantes. Peter é um atleta que passa a refletir sobre seu futuro e suas escolhas. Eliza é uma fotógrafa excluída do meio social devido a um acontecimento envolvendo ela e Peter, o que, juntamente com a doença do pai, deixou-a mais dura e entorpecida. Andy, por outro lado, é uma daquelas pessoas que não ligam para o dinheiro, fazendo o que bem entende e sendo um pouco revoltado com a vida. Anita (a que mais gostei), cujo sonho era ser cantora e independente, vê seus sonhos sendo quebrados pelos seus autoritários pais, principalmente seu pai que a vê como mais um de seus investimentos, por isso ela segue a linha "certinha de ser" e tudo que ela fez até o momento foi para dar um retorno aos investimentos do pai. 

Autor

- Às vezes eu esqueço que a morte já existia antes do Ardor - Anita comentou.
Pág.: 228

A narrativa do livro é feita em terceira pessoa, apresentando o ponto de vista dos quatros personagens principais. O que me incomodou neste sistema de intercalação foi que muito dos trechos que vimos em um personagem se repetia na perspectiva de outro, não mudando nem o ponto final e vírgulas, o que a meu ver poderia ter sido compactado em pequenas referências. Até o Fim do Mundo foi uma interessante leitura que me fez pensar muito sobre nossas escolhas, o que não é tão comum em livros desse gênero. Apesar dos problemas citados, não posso negar o excelente trabalho que Tommy Wallach produziu, até mesmo por ser seu primeiro livro publicado. Algumas das músicas citadas durante a trama fazem parte do CD We All Looked Up: The Album, produzido por ele mesmo e as músicas vocês podem encontrar tanto em seu site oficial para comprar, quanto no Spotify. Já escutei e adorei! 

A diagramação está com um ótimo espaçamento entre linhas e um agradável tamanho de fonte. Na edição contamos com páginas amareladas e uma capa mostrando um grupo de pessoas observando o Ardor. Quanto a revisão, encontrei alguns erros, mas nada que interfira na sua leitura. 

Chapeuzinho Esfarrapado E Outros Contos Feministas do Folclore Mundial - Ethel Johnston Phelps

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Já pararam para pensar na imensidão de histórias que existiam, mas que infelizmente foram perdidas com o decorrer dos séculos por não haver coletores suficiente para registrá-las em obras? Chapeuzinho Esfarrapado e Outros Contos Feministas reúne contos de várias culturas, e retrata mulheres fortes e inspiradoras.




Quem disse que as mulheres nos contos de fadas são sempre donzelas indefesas, esperando para ser salvas pelo príncipe encantado? Esta coletânea reúne narrativas folclóricas do mundo inteiro — do Peru à África do Sul, da Escócia ao Japão — em que as mulheres são as heroínas das histórias e vencem os desafios com esforço, coragem e muita inteligência. Este livro é para todo mundo que não se identifica com as princesas típicas dos contos de fadas. É para garotas e garotos, para que todos possam aprender que as maiores virtudes de um herói não são exclusivas a um só gênero. Enriquecida com textos de apoio e ilustrações modernas, esta edição é uma fonte inestimável de heroínas multiculturais — e indispensável para qualquer estante.





As protagonistas desse livro não são do tipo que esperam o príncipe encantado aparecer para salvá-las, se desejam algo, mostram que são capazes de conseguir sozinhas. O principal objetivo dessas histórias é ir em contrapartida aos contos que mostram princesas submissas, pois a mensagem de empoderamento feminino é clara, as mocinhas desse livro são tão fortes e competentes quanto os homens. São 25 fábulas recheadas de aventuras e lições importantes. Adorei a Chapeuzinho Esfarrapado, que é uma princesa que não se preocupa com aparência; Unana, uma mãe dedicada em busca dos filhos que foram sequestrados e a senhora otimista de O kow de Hedley.

Chapeuzinho Vermelho

- Você podia tirar esse capuz esfarrapado e limpar a fuligem do rosto – insistiu, irritada, pois queria que sua amada irmã estivesse bonita.
- Não – respondeu Chapeuzinho. – Vou assim, como estou.
Pág.: 33

É importante ler histórias onde as mulheres são vistas como valentes e ativas, mas algumas me deixaram incomodada por abordarem ideias que se desviam muito daquilo em que acredito. Em A Lagarta Gigante, os homens se acovardam ao ver o tamanho da lagarta que engoliu um menino, as mulheres, para mostrar que não sentem medo, matam a criatura e resgatam o jovem. Essa história poderia ser melhor se eles se unissem no salvamento ao invés de ocorrer essa inferiorização da imagem masculina. Kate Quebra-Nozes é outro exemplo, há uma inversão de papeis, existe um príncipe enfeitiçado e uma jovem quebra o encanto (Alô, Branca de Neve!), além disso, frases como: "Os homens tiveram que ficar onde estavam - abaixo das mulheres." acabavam com um contexto interessante.

As personagens são fortes, decididas e defendem o que acham certo. Algumas me cativaram mais do que outras, mas todas demonstram ter muita coragem. Os nomes, cenários e estilo das narrativas variam de acordo com a região onde se originaram, Paquistão, Escócia, Cornualha e Equador são apenas alguns dos diversos locais de onde foram extraídas. Esse passeio por diversas culturas nos mostra um pouco das crenças e justificativas que alguns povos utilizam para explicar certos fatos.

Kate Quebra-Nozes

Agora que as mulheres tinham ido embora, os maridos as queriam de volta. Sentiam-se sozinhos e tristes, então se juntaram para pensar no que fazer.
Decidiram usar suas próprias cordas de pena de águia para ir ao céu atrás das esposas.
Pág.: 52

Tenho certeza de que Chapeuzinho Esfarrapado e Outros Contos Feministas do Folclore Mundial  é capaz de agradar a todos os públicos, independentemente da idade, sexo ou princípios, isso ocorre porque apesar de ser um livro focado em demonstrar a força feminina, ele contém um enredo leve e divertido. Como já disse, algumas histórias não passam uma mensagem muito interessante para a atualidade, mas a maior parte data do final do Séc. XIX e início do Séc. XX, (ou seja, foram criadas durante a primeira onda feminista, onde a nossa força estava começando a ser vista). Considerei esses aspectos como marcos históricos da sociedade na época, segui em frente com a leitura e não me arrependi, dá para extrair muita lição bacana.

A capa é simplesmente maravilhosa, estou apaixonada pelo tom de azul, a combinação de cores e arte presentes deram a ela um charme especial. A diagramação é simples, mas bem elaborada, existem algumas ilustrações belíssimas que dão mais vida às cenas lidas. As páginas são brancas e a fonte é mediana. Leitura parcialmente recomendada.

No Limite da Loucura - Maureen Johnson

Saudações, caros leitores, como vocês estão?
O Nome da Estrela foi um livro que tinha tudo para dar certo, mas acabou me decepcionando devido a alguns detalhes já mencionados em sua resenha. O que realmente me deu forças para ler sua "continuação", intitulada de No Limite da Loucura, foi a escrita fluida, rica e provocativa de Maureen Johnson. 




Uma das autoras mais queridas do público jovem na Inglaterra e nos EUA, e celebridade no Twitter, Maureen Johnson deixa sua protagonista Rory Devereaux No limite da loucura na eletrizante sequência de O nome da estrela. Depois de se envolver no misterioso caso do assassino em série que se fazia passar pelo lendário Jack, o Estripador, espalhando o medo pela capital britânica, a garota é enviada para a casa dos pais em Bristol. Mas ela não pensa duas vezes quando tem uma chance de retornar a Wexford e reencontrar os amigos. Sua volta a Londres, no entanto, revela mais sobre seus próprios poderes do que ela poderia supor e a põe no centro de uma nova – e sinistra – onda de crimes que vêm desafiando até mesmo a polícia secreta que combate os fantasmas na cidade. No segundo livro da trilogia Sombras de Londres, Rory Devereaux precisa enfrentar seus próprios medos e agir antes que seja tarde.




Nesta trama vemos Aurora Deveaux, ou Rory, regressando para Bristol, onde passa a frequentar sessões de terapias como uma forma de esquecer o que aconteceu no primeiro volume e assim poder seguir com sua vida normalmente, apagando seus conhecimentos sobre as Sombras, a polícia secreta que caça os fantasmas de Londres. Logo após sua saída, Charlie, dono de um pub próximo a Wexford, foi morto a marteladas por Sam (supostamente) funcionário do local. O que deixou tudo mais estranho e misterioso foi que mesmo após ele ter assumido o crime, outros começaram a ocorrer na região, deixando algumas pontas soltas e um problema no ar: quem estaria provocando esses atos?

Após algum tempo em Bristol e idas às sessões de terapia, Julia, sua psicóloga, chega à conclusão que Rory já pode retornar às aulas em Wexford com o pretexto de que isso irá lhe ajudar na recuperação. Contudo, seu andamento escolar estava mais que atrasado e ameaçado, forçando-a a se esforçar mais um pouco em meio as decisões de sua vida e a esse novo mistério que percorre as ruas de Londres. 

O que você faria se estivesse próximo da loucura?

- ... cada um de nós tem um primeiro contato com a morte de forma diferente. Quero que você tente se lembrar... Como foi para você?
Tive que me conter. Se sua psicóloga pergunta como foi seu primeiro contato com a morte, é meio esquisito você praticamente saltar da poltrona de empolgação porque essa é de longe sua história preferida de todos os tempos. Acontece que minha história de "primeiro contato com a morte" é muito boa.
Pág.: 16/17

No Limite da Loucura tem os mesmos problemas de seu antecessor, principalmente no que se refere ao seu desenvolvimento, feito de forma lenta e sem grandes elementos que fixam a atenção do leitor, o que pode acarretar em desistências. O grande problema deste livro é a falta de um balanceamento entre as tramas, o que culminou em um descompasso que é sentido pelo leitor logo nas primeiras páginas. O que quero dizer é que a autora nos apresenta o plot do assassinato na introdução, passa mais da metade da obra mostrando os dramas de Rory diante de todos os acontecimentos do último volume, o que poderia ter sido resumido, e retoma a história do crime quase no final.

Rory apresenta quase a mesma personalidade do primeiro volume, sem demonstrar quase nenhuma evolução. O que percebi nela foi que há mais humor e ironia em seus diálogos e pensamentos, principalmente durante as sessões de terapia. Os desenvolvimentos dos personagens secundários foram praticamente ignorados, sufocados pela dedicação da autora em mostrar os dramas de Aurora. O que mais aparece na história é Stephen, com seu aspecto um pouco reservado e misterioso que pode não agradar a todos. O livro é narrado em primeira pessoa através de uma escrita rica em detalhes capaz de provocar a imaginação do leitor durante a leitura. 

Maureen Johnson, autora.

Toda a atenção estava sobre mim, e era possível que a conversa ficasse empacada se eu não saísse do lugar logo e obedecesse. Lembrei a mim mesma de que eu não era uma policial treinada, nem uma profissional de saúde mental nem nada parecido. Era uma estudante de ensino médio, uma estrangeira, e tinha me metido naquilo tudo por puro acaso, portanto, não era minha obrigação ser forte e corajosa. Por outro lado, eu é que tinha exigido estar ali.
Pág.: 160

O encerramento do livro foi um pouco previsível e deixou algumas pontas soltas, sem necessidade, para o terceiro volume. No Limite da Loucura foi uma grande decepção e infinitamente inferior ao seu antecessor. A impressão que tive é que a autora tomou outros rumos e ficou perdida nesse caminho, sem ter para onde ir e dando inúmeras voltas. Não recomendo àqueles que esperam demais desta trama. 

A diagramação segue a mesma do primeiro volume, com um ótimo espaçamento entre linhas e um agradável tamanho de fonte. Na edição contamos com páginas amareladas, títulos em alto relevo e uma capa misteriosa. A tradução foi feita por Sheila Louzada e não encontrei erros aparentes na revisão.

Filha das Trevas - Kelly Keaton

Hey pessoal, tudo bem?

Filha das Trevas, primeiro livro da série Deuses & Monstros, foi um livro complicado de formar uma opinião sobre. Por um lado temos uma escrita muito bem elaborada e um desenvolvimento de personagem de fazer inveja a muitos autores. Por outro, contamos com uma personagem adolescente que não está satisfeita com a vida que leva - o que por si só já é suficiente para quase me fazer abandonar um livro -, e um dos maiores clichês de livros do gênero: desvendar os mistérios do seu passado. 





Ari se sente perdida e solitária. Com olhos azul-esverdeados e cabelos prateados esquisitos, que não podem ser modificados nem destruídos, sempre chamou a atenção por onde passava. Depois de crescer em casas adotivas, tudo o que quer é descobrir de onde veio e quem ela é. Em sua busca por respostas, encontra uma mensagem escrita pela mãe morta há muito tempo: fuja. A garota percebe que precisa voltar para o local de seu nascimento, Nova 2 — a cidade luxuosa, que foi inteiramente remodelada —, em Nova Orleans. Lá, ela é aparentemente normal. Mas cada criatura que encontra, por mais mortal ou horrível que seja, sente medo dela. Ari não vai parar até desvendar os mistérios de sua existência. No entanto, algumas verdades são terríveis e assustadoras demais para serem reveladas.




Ari é uma adolescente que passou grande parte da vida em orfanatos e mudando de casas, até que finalmente é adotada por um casal que a ama e protege. Contudo, ela não está satisfeita, o que não é novidade nenhuma em se tratando de um livro YA com uma protagonista de 17 anos. Como se esse clichê já não bastasse, ela ainda possui essa urgência em descobrir os segredos do seu passado e os motivos que levaram sua mãe a lhe abandonar, o que dá inicio a uma série de eventos instigantes, mas confusos e que deixam aquela sensação de "já li isso em algum outro lugar".

Ari

Eu não sou louca. Confie em mim. 
Pág.: 17

Um aspecto que me cativou muito na obra, foi a forma como a autora conseguiu mesclar mitologia com elementos sobrenaturais, como shapeshifters (transmorfos ou troca-formas, dependendo de algumas lendas). Quando vi comentários que ela fez isso na obra, confesso que fiquei com um pé atrás, pois normalmente são dois elementos que não dão muito certo juntos. Contudo, confesso que gostei da forma que ela o fez e foi uma surpresa muito agradável ver que, mesmo com todos os clichês presentes, a autora ainda conseguiu ser original em alguns aspectos. 

Entretanto, mesmo tendo gostado do que fora acima mencionado, devo salientar que frequentemente pensei em desistir da leitura. Ari é uma adolescente que é teimosa e está disposta a fazer de tudo para obter respostas, mesmo que para isso ela tenha que ignorar os avisos de todos ao seu redor. Como exemplo, temos o fato de que ela prometeu não ir a Nova 2 sem seus pais adotivos, e ainda assim ela vai, afinal, o que poderia dar errado? (¬.¬).

Mostre sua verdadeira face.

O sangue congelou nas minhas veias.
Na minha mente, não havia dúvidas sobre quem era essa nova presença no salão. Quem mais poderia ser?
Pág.: 204

O final foi um tanto quanto surpreendente, pois ao longo da história criei várias teorias sobre o passado e origem da protagonista, e pouquíssimas delas estavam corretas, o que foi uma surpresa. Infelizmente não posso dar muitos detalhes, mas quem ama mitologia grega vai adorar o final da obra. 

A edição está simples, mas muito bem feita. A capa é em tons de roxo e amarelo e possui Ari usando uma máscara no estilo "Baile de Gala Vitoriano". A diagramação está agradável aos olhos, sem ilustrações, mas com um espaçamento entre linhas que facilita a leitura. Não encontrei erros de revisão ou tradução aparentes. Recomendo para quem gosta do gênero, mas já aviso que as chances de você desistir não são pequenas. 

Sorteio: O Código Da Vinci - Dan Brown (Edição Especial)


Hey pessoal, tudo bem?

Quer levar para casa um exemplar da Edição Especial desse livro maravilhoso? Para concorrer é simples, basta preencher a primeira entrada, que é LIVRE, e você já está participando. Contudo, caso queira mais chances de ganhar, assim que a referida entrada for preenchida, as EXTRAS serão liberadas e algumas delas podem ser usadas todo dia, ou seja, muito mais chances para você!

A opção "tweet about the giveaway/ tweetar sobre o sorteio" é renovada a cada 24 horas, assim, todo dia que você tweetar a frase e preencher essa entrada, seu nome será adicionado mais vezes.

Qualquer dúvida quanto ao uso do formulário basta entrar em contato pelos comentários ou pela aba de "Contato" no menu do blog.

OBS: O formulário do Rafflecopter sofreu alterações nas entradas EXTRAS para curtir a página no Facebook. Para que tal entrada seja validada, é necessário CURTIR a página, e não só visitá-la como manda o formulário.


a Rafflecopter giveaway

Parabéns, Wuy! O e-mail já foi enviado.

Importante

  1. O ganhador deverá responder ao e-mail que mandarmos em até 48 horas. Caso não o faça um novo sorteio será realizado.
  2. O livro será ENVIADO em até 30 dias úteis pela editora.
  3. O blog não se responsabiliza por danos ou extravios causados pelos Correios.
  4. Caso o ganhador forneça o endereço errado e o pacote retorne, o mesmo perderá o direito ao prêmio.
  5. O ganhador deve ser residente e domiciliado em território nacional.
  6. O ganhador que descumprir alguma das regras será desclassificado.

"Que a sorte esteja sempre a seu favor!!"

O Código Da Vinci - Dan Brown

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

O Código Da Vinci mal havia chegado ao mundo em 2003 e já estava causando polêmica no âmbito religioso devido, exclusivamente, ao seu conteúdo, que segundo eles seria uma afronta aos ensinamentos e à vida de Jesus Cristo na Terra. Como já era de se esperar, o livro foi um sucesso de vendas e acabou recebendo, em meio às críticas positivas, avaliações contundentes de religiosos. 


Um assassinato dentro do Museu do Louvre traz à tona uma sinistra conspiração para revelar um segredo protegido por uma sociedade secreta desde os tempos de Jesus Cristo.
Com a ajuda da criptógrafa Sophie Neveu, o professor de Simbologia Robert Langdon segue pistas ocultas nas obras de Leonardo Da Vinci e se debruça sobre alguns dos maiores mistérios da cultura ocidental – do sorriso da Mona Lisa ao significado do Santo Graal.
Mesclando os ingredientes de um envolvente suspense com informações sobre obras de arte, documentos e rituais secretos, O Código Da Vinci consagrou Dan Brown como um dos autores mais brilhantes da atualidade e agora chega em nova versão, especialmente preparada para o público jovem, com fotos coloridas que enriquecem ainda mais o livro.




O que parecia ser uma habitual noite para Robert Langdon, professor de Simbologia Religiosa da Universidade de Harvard, acabou se tornando uma grande aventura para desenredar a maior conspiração do mundo. Após o curador do museu do Louvre, Jacques Saunière, ter sido encontrado morto na Grande Galeria, Langdon foi chamado devido às simbologias encontradas em seu corpo e à sua estranha posição que reproduzia a do Homem Vitruviano. O que ele não esperava era que um último trecho de uma das pistas deixadas por Saunière o tornaria o suspeito número um aos olhos da polícia francesa, principalmente do delegado Bezu Fache, simpatizante da Opus Dei, uma organização que vem há séculos tentando pôr as mãos na Pedra-Chave, que revelaria parte do segredo, para destruí-la. 

Com a ajuda de Sophie Neveu, uma criptógrafa da DPJF (Departamento de Polícia Judiciária Francesa) e neta de Saunière, Langdon consegue sair do Museu do Louvre, dando início a uma grande investigação que os conduzirão ao maior segredo já guardado e que pode abalar os pilares da igreja como a conhecemos. 

A Última Ceia
Uma pintura. Vários símbolos.
SO DARK THE CON OF MAN
Tão sombria a traição dos homens
Pág.: 84

Aos que não sabem, O Código Da Vinci é o segundo livro que traz o professor Robert Langdon como protagonista, sendo sua primeira aparição em Anjos e Demônios (2000), outra obra do autor que causou polêmica em seu lançamento. Não vou negar que mantenho certo fascínio pelas obras de Dan Brown, já que suas narrativas conseguem causar discussões que afetam diversas áreas que possuem instrumentos correlacionados com a religião, como a cultura, a arquitetura das igrejas e a arte em si, carregada de interpretações e de símbolos e seus significados, que podem ter sido alterados de acordo com a necessidade humana de um determinado período. 

Por misturar ficção com a realidade, o que já podemos considerar como uma das mais visíveis características do autor, o livro conta com inúmeras descrições de obras de artes, elementos da arquitetura e, principalmente, fatos históricos. Devido a isso, há muitas explicações que auxiliam os leitores mais leigos nos assuntos ali expostos, o que é bom por um lado, mas por outro pode acabar entediando aqueles que já detêm maiores conhecimentos, levando-os a crerem que o autor está apenas enrolando na narrativa. A obra é narrada em terceira pessoa e apresenta tanto o ponto de vista daqueles que protegem o segredo e daqueles que desejam destruí-lo.

Dan Brown é conhecido por sua escrita simples, mas que consegue reproduzir sensações e emoções nos leitores devido às suas boas descrições de cenas de ação e, sobretudo, mistérios. Em consequência, é difícil não se apegar à sua narrativa carregada de enigmas. O interessante é a forma como nós mesmo paramos um pouco a leitura com o intuito de tentar decifrar os problemas antes dos personagens, que por sinal apresentam personalidades singulares, como é o caso do albino Silas, fiel seguidor da Opus Dei, ou o Bispo Manuel Aringarosa. Impossível não sentir um pequeno ódio por eles.  A trama em si gira em torno de uma sociedade secreta, o Priorado de Sião, que tinha como membros renomados cientistas, pesquisadores e artistas, como Leonardo da Vinci, Victor Hugo, Sir Issac Newton, dentre outros que seriam responsáveis por guardar e transferir o grande segredo a cada geração afim de mantê-lo "vivo". 

O Código Da Vinci recebeu em 2006 uma adaptação cinematográfica com Tom Hanks encarnando Robert Langdon. Depois de ler esta obra, revi o filme e pude tirar algumas conclusões: (1) o filme tenta mostrar a todo momento que o professor é mais inteligente que Sophie Neveu; (2) que aparece quase que somente uma mera ajudante feminina, o que é bem diferente do que vemos no livro, onde ela demonstra maior inteligência e rapidez para decifrar os enigmas e anagramas presentes ao longo da trama; e (3) há algumas diferenças de locais, situações e caracterização de alguns personagens. Entretanto, o filme consegue expressar a essência do livro e pude perceber que alguns diálogos foram mantidos. 

Capela Rosslyn
Capela Rosslyn e sua arquitetura gótica.
IN LONDON LIES A KNIGHT A POPE INTERRED.
Cavaleiro em Londres um Papa enterrou.
Pág.: 207

O final do livro pode ser um pouco previsível para quem nunca o leu, visto que há algumas dicas ao longo da trama que podem levar o leitor a conclusão, mas isso não retira a emoção das reviravoltas e revelações. Por mais que seja uma ficção, O Código Da Vinci foi uma excelente leitura e uma visita a arte e arquitetura renascentista e gótica, apesar de alguns críticos evidenciarem suas insatisfações sobre Dan Brown ignorar alguns elementos destas duas áreas que se correlacionam. 

Esta é uma edição especial para jovens, portanto, há algumas ilustrações e fotos no meio do livro que podem ser consultadas ao longo da leitura, até mesmo para apreciar ou se situar. Além disso, contamos com páginas amareladas e uma bela ilustração na capa que brinca com o anagrama da Pedra-Chave. Sobre a diagramação, há um ótimo espaçamento entre linhas e um agradável tamanho de fonte. Não encontrei erros aparentes na revisão. 

As Aventuras de Wonder Woman na Super Hero High - Lisa Yee

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Eu adoro histórias fofas, e essa ganhou um espacinho especial em minha estante porque a protagonista é uma das minhas super-heroínas favoritas. Enquanto aguardo ansiosamente o lançamento do filme da Mulher Maravilha, me deliciei com sua versão adolescente.



Wonder Woman é uma guerreira e princesa amazona. Criada na Ilha Paraíso, ela sempre sonhou em ser uma super-heroína – a melhor de todas as super-heroínas. As aventuras de Wonder Woman na Super Hero High é o primeiro livro da série DC Super Hero Girls, bem-sucedido projeto multiplataforma da DC Comics, com websérie no YouTube, jogos e aplicativos, além de uma linha de bonecas e fantasias. Escrita pela premiada Lisa Yee, a série apresenta os clássicos heróis da DC Comics – entre eles Wonder Woman, Batgirl, Green Lantern e Arlequina – para uma nova geração de leitores. Com foco nas jovens heroínas, a autora leva os personagens para uma escola especial onde eles aprendem a usar seus poderes e vivem grandes aventuras, enquanto passam por situações e dilemas típicos da adolescência. Uma nova roupagem para ícones da cultura pop que agrada tanto aos velhos fãs quanto aos mais novos.




Antes de saírem salvando o mundo, os super-heróis precisam frequentar a escola e aprender como se portar, quais trajes usar e passar por uma série de treinamentos necessários para moldar a personalidade. Apesar de adorar viver na Ilha Paraíso, Wonder Woman anseia por novas experiências e acredita que a Super Hero High tem o necessário para torna-la uma heroína melhor. Comandada por Amanda Waller, o colégio reúne diversos tipos de heróis e humanos com inteligência e talentos notáveis. O maior desafio de Wonder será aprender regras básicas de convivência com outros adolescentes.

Alunas da Super Hero High

O brilho de boas vindas da Amethyst atraiu Wonder Woman, e, quando ela viu a Super Hero High, soube em seu coração que ali era o seu lugar.
Pág.: 13

Não ligo para o fato de ser um pouco “velha” demais para essas coisas, além de ler o livro eu ainda vi o desenho, amei ambos, mas posso afirmar que o livro é um pouco melhor por ser mais rico em detalhes. A linguagem é infantilizada e de fácil compreensão, há a constante repetição de nomes e expressões, mas acredito que essa estratégia visa melhorar a compreensão do texto, já que a carga literária de uma criança é mais reduzida do que a de um adulto.

Os nomes dos personagens não receberam a tradução pela qual muitos os conhecem, achei isso um pouco falho, já que o público alvo não terá tanta facilidade para assimilar com os dos desenhos e quadrinhos, Cheetah (Mulher-Leopardo), Beast Boy (Mutano), Hawkgirl (Mulher-Gavião), são apenas alguns deles. Já imaginaram os vilões mais odiados da DC frequentando uma escola que visa formar heróis? É o que acontece, mas eles estão sempre aprontando pequenas maldades, e assim o leitor poderá conhecer a maior parte dos personagens da DC.

Conheçam a escola.

Nada mais foi o mesmo para Wonder Woman depois disso. Por outro lado, quando um dia é igual ao anterior? Amigos e inimigos – e os que ficavam entre um e outro – estavam claros. Pelo menos por ora.
Pág.: 245

A proposta da DC, em parceria com Lisa Yee, de criar essa história é maravilhosa, pois é destinada a um público mais jovem e traz enfoque nas personagens femininas. É notável que esse universo de super-heróis é mais voltado aos meninos, basta ver a quantidade de brinquedos, roupas e acessórios que visam atingi-los ao utilizar esse tema, por isso é bom ver que isso está mudando, pois nós também gostamos e queremos ser heroínas. Agora só falta a DC parar de criar uniformes sexistas, já fizeram isso nessa nova série, mas não queremos que essas futuras fãs fiquem confusas quando verem as outras versões das roupas das protagonistas, não é?

A capa é maravilhosa, todas as vezes que tirava o livro de dentro da bolsa alguém parava para admirá-lo. A diagramação é agradável aos olhos, as páginas contêm ilustrações que remetem ao estilo cartoon e são amareladas, a fonte é grande. Esse volume é focado na Mulher Maravilha, acredito que o próximo irá retratar a Supergirl. Leitura recomendada.

Ajin Vol. 1 - Gamon Sakurai & Tsuina Miura

Hey pessoal, tudo bem?

Ajin foi uma obra ímpar de ser lida. Uma das melhores sensações como leitor é criar altas expectativas para com a obra e elas não só serem atendidas, como irem além do que você imaginou que seria. Tsuina Miura conseguiu criar um mundo envolto em suspense e terror, mas que sempre reforça a importância dos laços de amizade, bem como o quão poderoso é o medo e preconceito da sociedade com aquilo que eles desconhecem. Isso, somados ao enorme talento artístico de Gamon Sakurai, faz com que tenhamos uma obra prima que irei acompanhar até o último volume. Antes mesmo de terminar de escrever essa introdução já tinha aberto a página da Amazon para comprar o volume 2 *__*.





Kei Nagai está focado nos seus estudos para entrar em uma Faculdade de Medicina e vive uma vida mediana com falsos amigos, enquanto pensa apenas em como vencer na vida... até o dia em que descobre ser um Ajin, uma entidade imortal! Encurralado pela polícia e pela sociedade, que sai à sua caça para submetê-lo a experiências científicas, seu único aliado é Kai, um antigo amigo de infância com quem havia cortado relações!







A história de Ajin é ambientada em nossa sociedade atual, contudo, com um pequeno diferencial: existem os Ajins, seres humanos que após morrer, voltaram à vida, não como zumbis, mas exatamente como eles eram antes de morrer, ou seja, se você fosse atropelado e perdesse uma perna, você iria se regenerar ao mesmo estado que era antes de ter morrido. Não existe um meio de saber quem é ou não um Ajin, pois a única forma de se saber é morrendo. Nesse contexto, temos Kei Negai, um jovem que está estudando para entrar na faculdade de medicina para mudar de vida, até o momento em que ao atravessar a rua é atropelado e descobre ser um Ajin. 

Seu rosto está em todos os noticiários, as pessoas o estão caçando para entregar ao governo, que vem fazendo experimentos com os Ajins no intuito de saber o motivo pelo qual eles são do jeito que são, e quem sabe com isso alcançar o que o homem vem buscado por milênios: imortalidade. Uma vez que Kei descobre o que é, tudo muda, seus amigos o tratam como uma aberração e sua mãe diz que seu filho morreu no incidente e que aquilo na frente dela é apenas um monstro que tomou sua forma. Em meio a tanto caos, agencias do Governo brigam entre si para ver quem irá capturá-lo primeiro, e a única esperança de Kei é Kai, um amigo de infância que fará de tudo para ajudar o amigo a escapar. 

O Fantasma Negro

A comunidade de Ajin deve ser dividida em basicamente dois tipos. Secreta, reclusa, sem contato com a humanidade, ou terrorista. Bom, se for isso... fazer o que? Tem muita gente que merece morrer, mesmo. 
Pág.: 226

A obra não só possui uma história cativante, como também apresenta um traço lindo e muito bem detalhado. Os personagens principais são bem construídos e o ritmo da narrativa deixa o leitor à "flor-da-pele", trazendo momentos de suspense, adrenalina, terror e aventura, principalmente nos capítulos que retratam a perseguição de Kei pelas entidades do governo e da população, afinal, existe uma recompensa para quem o capturar. 

O traço, como disse, é muito bem feito e consegue retratar nos mínimos detalhes tudo o que está acontecendo, ao contrário de mangás mais simplórios como Blood Blockade Battlefront, que apesar de ter uma história interessante, conta com um traço mal feito, fazendo com que muitas vezes ele pareça torto ou desconexo com a história, o que não ocorre com Ajin

Traço do Mangá

O primeiro Ajin foi descoberto 17 anos atrás, na África. Era um militar chamado de "Soldado de Deus" pelos locais. O Exército americano o capturou e sua existência foi divulgada, foi a maior descoberta da humanidade. 
Algumas pessoas chegaram a entrar em pânico, achando que se tratava de uma invasão alienígena. Hoje em dia, as coisas deram uma acalmada. 
Pág.: 12/13

Não posso dar muitos detalhes sobre o que acontece senão iria acabar estragando a história para quem vai ler a obra, mas, como disse no começo do texto, Ajin conseguiu suprir expectativas e ir além. Não vejo a hora de colocar as mãos no segundo volume e saber o que acontece agora que os Fantasmas Negros apareceram *__*. 

A Panini está de parabéns com a edição desse mangá. Além de ter orelhas, o que não é comum em obras do gênero, contamos com várias ilustrações coloridas e o papel usado nas páginas é mais resistente e de melhor qualidade, ou seja, não tem aquela vibe de "papel de jornal" como é o caso de Fate Stay Night ou Blood Blockade Battlefront. A ilustração da capa é maravilhosa e é feita em verniz localizado. Abaixo vocês podem conferir o trailer da adaptação que a Netflix fez da obra. Recomendo para todo mundo que está buscando uma aventura com doses cavalares de suspense e adrenalina. 



O Primeiro Dia do Resto de Nossas Vidas - Kate Eberlen

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Dependendo do momento pelo qual estamos passando, existem livros que definitivamente não irão agradar. Normalmente busco leituras leves e divertidas que trazem mensagens positivas e um enredo alegre quando quero distrair a mente e evitar pensar em coisas ruins, foi por isso que escolhi O Primeiro Dia do Resto de Nossas Vidas, mas acabei me decepcionando ao perceber que ele não era o que eu esperava.


Tess e Gus foram feitos um para o outro. Só que eles não se encontraram ainda.
E pode ser que nunca se encontrem... Tess sonha em ir para a universidade. Gus mal pode esperar para fugir do controle da família e descobrir sozinho o que realmente quer ser. Por um dia, nas férias, os caminhos desses dois jovens de 18 anos se cruzam antes que os dois retornem para casa e vejam que a vida nem sempre acontece como o planejado.
Ao longo dos dezesseis anos seguintes, traçando rumos diferentes, cada um vai descobrir os prazeres da juventude, enfrentar problemas familiares e encarar as dificuldades da vida adulta. Separados pela distância e pelo destino, tudo indica que é impossível que um dia eles se conheçam de verdade... ou será que não?O Primeiro Dia do Resto da Nossa Vida narra duas trajetórias que se entrelaçam sem de fato se tocarem, fazendo o leitor se divertir, se emocionar e torcer o tempo todo por um encontro que pode nunca acontecer.



A vida de Tereza estava prestes a passar por uma mudança significativa. Enquanto conhecia Florença e esperava ser aprovada na faculdade, ela vivenciava os melhores momentos de sua vida: já havia visitado belos monumentos, saboreado comidas maravilhosas e até mesmo visto um rapaz muito bonito que chamara sua atenção, ou seja, tudo parecia perfeitamente em ordem, até chegar em casa e descobrir que sua mãe estava doente, o câncer nos ovários havia chegado ao fígado e consumia sua saúde.

A viagem de férias era uma forma dos pais se desviarem um pouco do luto, Gus também sentia falta do irmão, por isso tentava da melhor forma preencher sua ausência atendendo às vontades dos pais. Medicina não era sua primeira escolha, entretanto era o curso de Ross, e o pai se orgulharia de ter filhos médicos. Angus sempre foi tímido, não soube sequer conversar com a garota bonita que conhecera em Florença, mas ele espera que as coisas mudem na faculdade.

Capa Estrangeira

Disse a mim mesmo que seria indelicado não aceitar a generosidade dos meus pais, mas a verdade era que eu não passava de um covarde.
Pág.: 26

A escrita de Kate Eberlen é excessivamente detalhada e isso tornou a leitura um pouco arrastada e cansativa, mas é impossível não imaginar as cenas com perfeição. A obra é dividida entre o que acontece na vida de Tess e na de Gus, eles só se encontraram em Florença, depois disso o destino parece pregar peças nos dois, pois sempre que eles estão prestes a se conhecer melhor, algo os afasta. A história passa por vários saltos temporais, isso é um pouco frustrante, pois o leitor começa a perder as esperanças de que eles fiquem juntos. O que mais me incomodou na narrativa foi a constante repetição da frase: “Hoje é o primeiro dia do resto da sua vida

Tess é o tipo de pessoa que abre mão dos próprios sonhos para fazer o que acha justo, é linda a dedicação que ela tem com a mãe e a irmã, mas em determinados momentos fiquei com raiva por ela abrir mão de seu futuro. Gus é o tipo de pessoa insegura, que cede aos desejos dos outros sem ao menos tentar fazer o que deseja, não gostei muito dele, principalmente por ficar se comparando ao irmão. 

Autora


Desliguei o telefone e foi nesse momento que chorei. Soluços altos e angustiados. Parece egoísta, não? Mas não era apenas o fim do meu sonho. Era o fim do sonho de minha mãe também. Ir para a universidade era o nosso projeto.
Pág.: 47

Como já disse, escolhi esse livro por pensar que se tratava de uma obra leve, divertida e empolgante, entretanto encontrei um drama carregado de morte e tristeza que me deixou angustiada com as histórias dos personagens. Senti-me sufocada por uma sensação ruim na maior parte da leitura, por isso decidi abandoná-la. Quando superar essa ressaca literária pela qual estou passando, talvez dê uma segunda chance para o livro, mas até lá, vou continuar preferindo ler algo mais suave.

A capa é muito charmosa. A diagramação é simples e agradável aos olhos, as páginas são de tom amarelado e a fonte é grande. Não gostei desse livro, mas como disse, isso está ligado ao momento que estou vivenciando, porém, recomendo que leiam para tirarem suas próprias conclusões sobre a obra. ^_^